O Fio – Victoria Hislop

o-fio-victoria-hislop-livro-novo_MLB-O-5011384544_092013O Fio não é um desses livros que a estória te prende de imediato. Precisei de algumas semanas para lê-lo, embora sua linguagem seja bastante simples e o enredo atraente. É uma estória que vai te absorvendo aos poucos e quando você percebe, está completamente imerso.

A estória do livro é sobre laços indivisíveis, principalmente. Um incêndio de proporções gigantescas arrasa a cidade de Tessalônica, por volta de 1917, naquela época a Grécia convivia muito bem com toda a diversidade das cidades. Lá viviam judeus, muçulmanos e cristãos em evidente harmonia. Após o incêndio e a Primeira Guerra Mundial, a paz que reinava sobre a cidade e em toda a Grécia virou caos. Milhares de pessoas perderam suas casas, tantas outras foram deportadas.

Nesse meio tempo, nasce Dimitri Komminos, filho de uma abastada família e Katerina Saraflogou chegou à Tessalônica depois que o exército turco destruiu sua casa na Ásia Menor, perdida da mãe, Katerina acaba sendo adotada por Eugenia e vão morar na Rua Irini, onde sua vida se entrelaçará com a de Dimitri Komminos.

É difícil não imaginar um enredo trágico e piegas, onde os personagens são vítimas do destino e lutam bravamente contra as intempéries da vida e assim, possam enfim render-se ao amor que nutriram. O Fio, da escritora Victoria Hislop, é ambientado na Grécia do século XX, que conta a saga de duas famílias completamente diferentes, mas com algo em comum. Ela expõe sua história e vai entrelaçando os fatos históricos com muita fidelidade, abrilhantando ainda mais o livro.

O início é um pouco morno, extenuante em alguns momentos, e cobre o final da Primeira Guerra Mundial. O clima não poderia ser outro além de resignação, sentimento de perda e de enfado constante por aquele mundo destruído lutando para se reerguer. Nas cidades, aos poucos o comércio retorna as suas atividades e as empresas retomam os seus trabalhos. Os sindicatos surgem e o aparecimento das greves é imediato. Uma forma de comunismo vai se desenvolvendo na Grécia. O livro passa ainda pela Segunda Guerra Mundial e as atrocidades nazistas, caminhando logo após pela ditadura que levou à Guerra Civil na Grécia entre 1946 a 1949, envolvendo as forças armadas do governo monárquico grego e o Partido Comunista da Grécia.

O que fica muito evidente no livro é o papel da mulher perante a sociedade. Naquela época elas serviam de mero adorno, uma muleta social para o homem. O homem solteiro não era visto como um homem de confiança, não inspirava responsabilidade, porém o machismo era algo substancial, onde suas esposas não tinham direito nem da escolha das próprias roupas. Elas ficavam em casa bordando ou apenas cuidando de afazeres domésticos. A relação de Dimitri e Katerina mostra um novo olhar sobre a sociedade que nascia depois de todos os infortúnios que se abateram pela Grécia.

É um livro para ler sem pudores, sem amarras políticas (e eu fiquei um pouco incomodada com a visão da escritora sobre o comunismo). O Fio é um livro que fala de destinos, caminhos cruzados. Um livro de amor em tempos de guerra, do qual recomendo.