Aquele abraço

Aquele abraço na cozinha me enganou direitinho. Sentir teu cheiro, o teu toque, a textura da tua pele me deu um conforto que a minha carência precisava. Eu baixei a guarda de forma perigosa, assumi riscos que achava que você estava preparada para correr comigo.  Em vão? Não diria que sim porque a gente cresce na pancada, no choro e aprende que nem tudo é como a gente quer, aliás, quase nada acontece da forma que a gente deseja, daquele jeitinho que a gente quer, com os moldes que a gente pensava. A gente tem mesmo a péssima mania de criar expectativas demais em cima das pessoas.

Aquele abraço era um sinal que você não voltaria, era a sua deixa para sair da minha vida. Foi apertado, foi quente, quase confortador. Fico pensando aqui, como seria bom se a gente soubesse sempre que abraçaria alguém pela última vez, reteríamos coração com coração por um minuto a mais, apertaríamos nossos tórax como se um fundisse no outro. Seria como aquele abraço da cozinha. Era a sua despedida, só eu que não percebi.

Abril, 2020.

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