2019

Há alguns anos criei o hábito de anotar momentos bons em pedacinhos de papel e depositá-los em um pode de vidro durante o ano, então, geralmente, nos primeiros dias do ano seguinte eu leio esses momentos. Esta é uma atividade que me traz bons sentimentos, afinal, relembro de tudo o que vivi de bom, por menor que fosse. Me ajuda a alimentar a chama da esperança para os dias que virão.

A dor costuma deixar mais marcas do que a felicidade e aquilo que nos doeu, sangrou fica martelando por mais tempo, então guardar pequenas felicidades para ler depois serve como um eficiente curativo e um lembrete de que nem tudo foi ruim assim.

E o que dizer de 2019? É quase unânime que este o ano mais insano de todos. Tantas coisas aconteceram, tive tantas mudanças na minha vida que nem sempre foram boas, senti e passei por coisas que não queria e não pude evitar, mas pude confirmar muitas coisas boas hoje ao reler meus papéis.

Cada coisa que considerei um momento feliz: um dia em família, um almoço com um amigo, um passeio, viajar sozinha, passar o dia fazendo alguma coisa inusitada, mudar de emprego, tantas coisas legais que o resto do ano acabou embotando no meio de tanta lágrima, de tanto pesar de coisas perdidas, de tanto lamentar o tempo que não volta, de quase morrer de saudades todos os dias e alimentar sentimentos que não me trouxeram nada além de mais dor e pesar.

Reler cada sorriso me fez grata por tudo o que passei em 2019, até mesmo o mês de repouso por causa de duas costelas fraturadas, que me fizeram entender tantas coisas da vida, da nossa fragilidade, da estupidez de como lidamos com nosso corpo e neglicenciamos tantos recados que ele nos dá, que precisamos parar para ouvi-lo. Como ele reclamou! Noites mal dormidas, travesseiros molhados, crises homéricas de ansiedade. Acho que 2019 foi o ano que mais chorei em toda a minha vida. Também foi o ano que mais me conheci.

Este ano serviu para que pela primeira vez estabeleça metas e planeje os dias. Antes eu agia como uma tola e medrosa que, para não me frustrar, vivia como se cada dia fosse o derradeiro e o amanhã fosse um caminho longo demais para vislumbrar. Custei a aprender que, embora o futuro seja uma caixinha de segredos desvendados aos poucos, não faz sentido viver como se ele não existisse e não fosse uma parte importante e consequente do que vivemos hoje.

2019 foi um ano de mudanças profundas, de coisas irreversíveis e de coisas que preciso deixar no ontem, não faz sentido querer mantê-los à mão. Olho para meus curativos de felicidade e me sinto grata por chegar até aqui.

Esvaziei o vidro, que venha 2020.

Vai, agora é a sua vez de falar

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