ligados a aparelhos

Somos uma espécie em constante evolução, como amantes da ciência, nosso objetivo é aprender e aperfeiçoar para que possamos facilitar a vida (a nossa e do nosso próximo), tornar tudo mais objetivo, preciso e eficaz. A medicina avançada nos faz crer que somos uma espécie inteligente, mais do que conseguir sustentar um boeing de algumas toneladas no ar brigando contra a gravidade, e embora a vida seja finita, conseguimos alguns feitos fantásticos dentro de um centro cirúrgico hostil e esterilizado. Nós fazemos a vida valer a pena, a ciência faz tudo ficar melhor. Ou pelo menos deveria.

É também da natureza humana ser mau e não podemos dizer que isso não faça parte da nossa evolução. Nos tornamos bons ou maus conforme somos feitos e isso não depende do ambiente ou questões socioculturais como a filosofia vitimista costuma pregar, mascaramos ou damos forma àquilo que somos conforme a situação, tal qual agem os camaleões. Mimetismo é uma forma de proteção anima contra predadores, alguns usam para o ataque, como os seres humanos, que usam do benefício como arma.

golfinhoNossa constante evolução nem sempre é benéfica, bombas atômicas e armas nucelares nos deixam temerosos de onde nossa criatividade nociva possa nos levar. Tudo tem dois lados, o ônus da inteligência é usá-la para o mal. Há algum tempo a Timeline do Facebook foi invadida por uma imagem de um grupo de pessoas fazendo selfie com um golfinho e que segundo a legenda, morreu por ficar tanto tempo fora da água. Há alguns sites como o “E -farsas” que desmente o fato dizendo que o bichinho já estaria morto quando as pessoas o pegaram para as malditas fotos. Nas duas versões há algo de muito bizarro.

blanding_091515_blackmass2_liv_boston_globe_boston_globe_via_getty_images_1As pessoas não se contentam em enxergar a vida “a olhos nus”, tudo precisa ser documentado, clicado, postado. Uma foto é como se fosse a prova cabal de que você esteve em algum lugar como se isso fosse a coisa mais importante do mundo. E as pessoas estão tão preocupadas em se mostrar que acaba não estando realmente lá. Aliás, há uma foto muito curiosa rolando na net de um grupo de pessoas empunhando smartphones  para registrar um evento enquanto uma velhinha destoa da multidão por pura e simplesmente olhar o espetáculo. Nossa geração online desaprendeu de enxergar, parece não confiar nas suas memórias, desacostumou de prestar atenção, absorver tudo ao seu redor, acostumou-se com a magia de “respirar por aparelhos”, onde tudo é possível, porém insípido e inodoro.

Essa geração me dá medo. Mas também me dá muita pena. É um povo que se contenta em ver a vida por uma tela e destrói tudo ao redor.

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