Sobre preconceitos e afins

Preconceito-Categorização-e-Estereótipos-6-1021x580É compreensível a revolta de quem tem frases ditas no passado expostas ao escárnio público. É doloroso, desconfortável.

Não é, porém, mais do que a exposição de uma realidade. Antiga, dirão alguns. Real, porém, retrucarão outros. Ambos com razão.

Assim como cobramos responsabilidade de quem diz coisas hoje, somos igualmente responsáveis pelo que dissemos no passado.

Logicamente, inclusive, o que dissemos/fizemos não tem como ser menor do que o ato de mostrar que fizemos. O desconforto com a exposição do que consideramos um “erro” que cometemos é só nosso; já a dor que inflingimos ao infringir é, potencialmente, de muitos.

Ou seja: expor o que dissemos não é nada perto do que causamos por termos dito.

Se fomos, algum dia, – em algum momento, em alguma frase, em alguma piada, em alguma brincadeira, em alguma bravata – preconceituosos (ou algo do gênero), só nos resta, caso acreditemos na mudança e desejemos que ela seja real e universal, pedir perdão. Perdão pelo mal que, irremediavelmente, fizemos. Afinal, a dor que alguém sentiu por conta disso já não podemos mudar. Mas podemos ser o exemplo que tanto dizemos almejar que o mundo tenha.

Quem se incomoda com quem mostra algo de anos atrás deveria guardar um tiquinho da indignação para si próprio.

Não há razão, portanto, para gastarmos energia se revoltando com quem expõe, que não seja a vaidade de não aceitarmos ter nossa aura de “evoluídos” maculada. Afinal, se realmente acreditamos na mudança e na transformação, a exposição ao ridículo do ridículo que fomos ajuda a mostrar que todos podem mudar.

Agindo assim, evidenciamos que não somos evoluídos ou superiores ao fazermos isso (mudar), mas sim humanos falhos que, nesses casos – e essa é uma obviedade que nosso ego faz questão de esquecer – não fizemos mais do que nossa obrigação.

Quem deseja mudança real ao mundo não tem motivo pra esconder que foi exatamente essa mudança e que ela, portanto, é possível, plausível, factível.

Ajudar os outros sendo exemplo sempre foi mais eficiente do que apontar o dedo dizendo o que fazer.

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