O silêncio das montanhas

102_3849Terminei de ler o Silêncio das Montanhas do autor Khaled Hosseini. Nesse momento uma onda de tristeza me abate, a sua história é bonita, e apesar de triste faz a gente fechar os olhos e crer na vida, acreditar que tudo acontece por alguma razão, que talvez um dia saberemos.

Khaled Hosseini como em todos os seus livros (O caçador de Pipas e A cidade do Sol) ambienta seus romances no Afeganistão. Nesse livro, ele fala de dois irmãos, Abdullah e Pari que são criados em uma aldeia muito pobre chamada Shadbagh, e por causa da miséria, seu pai ( que é viúvo, casado pela segunda vez com uma moça que dá à luz a dois filhos e um deles morre de frio no inverno rigoroso) vende a filha Pari a uma família rica de Cabul.

Os caminhos dos irmãos se separam, Cabul é tomada pelos Talibãs e muitos cidadãos  conseguem fugir do terror que o Talibã traz ao Afeganistão, a maioria consegue refúgio nos EUA. Os pais adotivos de Pari se separam e ela se muda para Paris com a mãe, que se torna uma escritora. Pari cresce sem saber do seu passado, não tem memória alguma de sua vida antes de ser adotada, mas cresce sentindo que alguns pedaços de sua vida estão mal contados, sente um vazio que não consegue definir muito bem.

Abdullah foi criado na miséria juntamente com a sua família e a diferença de idade entre ele e sua irmã (ele tinha 10 anos e ela 2) não deixou que as memórias dele fossem apagadas.  Ele cresceu com o vazio que Pari deixou em sua vida, arrastando suas lembranças como correntes, como se essa fosse a sua penitência. O vazio que as pessoas mais importantes deixam em nossas vidas, não é composto por nada e nem ninguém. Passam os dias, os anos, mudamos nossos planos, enterramos sonhos, criamos novos objetivos e aquela ausência está lá escondida em algum lugar dentro da gente. A saudade é como uma fotografia envelhecida, a paisagem se desgasta com o passar do tempo, porém ao olhar, conseguimos notar as sombras, os detalhes daquilo que nossa memória grava.

O livro de Khaled é um livro de perdas e fala de forma envolvente e bem amarrada em como o destino age a favor das pessoas. A vida nos promove separações dolorosas, mas às vezes nos acalenta com preciosos reencontros, mesmo que não seja como o esperado, mesmo que o tempo tenha nos embotado as memórias, mesmo que nos reste tão pouco daquilo que fomos.

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