Online offlife

busa-smart-abreQuem usa transporte público consegue perceber muito claramente o assunto que quero tratar hoje. Quem almoça fora de casa diariamente tem a noção exata do meu texto, isto é, se não estiver mexendo no smartphone nessas duas ocasiões. Quem vê as pessoas hoje absortas em seus mundinhos retangulares pode se sentir um peixe fora d’água, porque, de fato, as pessoas não se veem mais, não se falam mais, vivem em função do 3G, 4G (a gente se ilude) e Wi-fi quando dá sorte.

E eu fico me lembrando do mundo sem celular que um dia existiu e que vivi. Era possível ser feliz em um mundo em que curtir significava vivenciar alguma coisa legal e não alimento de ego ou troca de “likes” como cortesia digital. Uma era em que formar grupos, era cada um se sentar em um lado da mesa e debater ideias, montar um projeto. Aliás, lembrei dos tempos de escola, aqueles trabalhos em grupo onde metade não fazia nada, mas todo mundo se divertia. Que saudades de quando tínhamos amigos e não só contatos.

Hoje sinto pena da minha mãe aflita me esperando chegar em casa. Se eu demorasse alguns minutos (ou horas) ela enlouquecia achando que tinha acontecido alguma coisa. Não tinha celular para monitorar ninguém, tampouco rede social para que você pudesse manter contato e dizer: “Oi, mãe estou viva, só me atrasei porque perdi o ônibus”, ou sei lá, “tive uma aula a mais hoje”. Mas a gente se divertia, conversava mais, dava risada, admirava mais as coisas.

Claro que a internet e as redes sociais nos facilitam a vida, mesmo no exemplo acima, hoje em dia fica muito mais fácil manter contato entre pais e filhos, pedir socorro, fazer denúncias. Internet é um avanço na vida da gente, claro que é! É um meio de comunicação e inclusão de grandes proporções e de efeitos irreversíveis, ainda bem. A gente consegue estudar pela rede, pagar contas sem precisar enfrentar filas

Mas um pouco de limite nunca fez mal a ninguém. Não estou criticando o uso de smartphones, até porque eu seria completamente incoerente e hipócrita. Eu uso e adoro, tenho quase todas essas redes no meu aparelho, mas me coloco um limite. Preciso ter outras coisas para fazer, para ver de verdade, tocar. As redes sociais nos embotam os sentidos. Quantas coisas estamos banalizando pelo excesso que deixamos nos contaminar? O valor de um pôr do sol é maior na vida ou na foto do instagram? A necessidade de saber tudo, ver tudo, informar e desinformar sobre qualquer coisa nos tornou volúveis nessa era, nada se retém, nada vale a reflexão e ponderação. Tudo acontece à velocidade de nossa timeline. É como se a gente estivesse sempre com pressa de saber tudo. Tolinhos demais, nem percebemos que com isso, não sabemos de mais nada.

A vida pode ser mais bonita sem foto publicada no facebook, instagram e afins. Aliás, parece que a gente precisa provar pra todo mundo sempre o quanto é feliz, viajado e interessante mediante as fotos publicadas. Tem mesmo necessidade disso? Essa é uma pergunta que venho me fazendo muito. A necessidade das coisas. Necessidade de aparecer é um vício (doença), necessidade de parecer é pior ainda. Essa satisfação de egos, crônica e aguda forma seres artificiais e rasos. Cadê a graça de um abraço, reconhecer alguém pelo perfume, sentir saudade de uma risada?

Economizamos tempo, desperdiçamos a vida.

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4 comentários sobre “Online offlife

  1. Domingo passado, eu e mais 5 amigos fizemos um desafio: Um dia sem redes sociais. No início foi estranho, mas depois foi muito divertido. De fato, banalizamos muito as coisas.

  2. Tempos atrás recebemos a visita de um sobrinho nosso que mudou-se para Goiás. Durante o jantar que organizamos para recebê-lo e matar as saudades, percebi que a grande maioria das pessoas estava no whatsapp, vendo algum vídeo ou respondendo e curtindo coisas no Facebook. Pedi licença e desliguei meu roteador. O pessoal ficou emburrado no começo, mas depois demos muitas risadas das lembranças dos tempos de criança. UMa medida extrema? Sim, mas necessária. Assim como a sua grande reflexão.

    Abraços!

  3. Renata Cunha disse:

    Oi Carol!! Isso é muito verdade, hoje somos escravos da tecnologia.. Há um tempo, vi um casal no fim de semana na praça de alimentação e os dois estavam cada um no seu celular. Eu até falei para meu namorado ‘caramba, aquele casal nem conversa entre si, só estão no celular’.. Mas, apesar de toda tecnologia que temos hoje ainda sinto saudades de momentos que vivemos onde não existia celular, ou até mesmo quando os celulares eram só para falar e tinham o famoso jogo da cobrinha..rs
    Beijocas

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