Quem é o dono do tempo?

imagesAcordei com uma música na cabeça que tem a frase do título do post. Aliás, muitas músicas e textos falam sobre o tempo. O que é o tempo? Quantas coisas e interpretações cabem aqui.

Eu vejo o tempo como uma tsunami, aquela força arrasadora que não nos dá opções seguras de defesa, apenas uma prorrogação do inevitável. É que o tempo engole tudo, não tem jeito. A gente busca reter tantas coisas agradáveis, momentos inesquecíveis, palavras acalentadoras, abraços e perfumes que nunca mais nos esqueceremos. Aliás, a memória, é nossa única aliada contra o tempo, ela é nosso relicário, nossa caixinha preciosa que guarda tudo, até aquilo que queremos esquecer e por querer tanto esquecer, é que constantemente nos lembramos. Lembrei de outra música: “O esforço pra lembrar é a vontade de esquecer”. O tempo vai esmagar nossa vivacidade, transformar nossas vontades em lampejos que serão substituídos em outras vontades, outras realidades. A evolução, ou assim esperamos que seja, não para e não nos deixa tempo para respirar.

Nunca tive uma relação salutar com o tempo, talvez por viver em livros e em relatar memórias, casos e fatos que aconteceram, vivo constantemente em guerra, cuja derrota é iminente, mas guardo algum souvenir: bilhetes de cinema, gostos e aromas retidos no nosso sistema límbico que voltam sempre e que nos faz viajar mesmo sem querer. Sabe aquele cheiro de infância que às vezes volta e nos deixa um aperto no peito? Minha briga com o tempo acontece nesses momentos. Por quê ele passa? Por quê essa necessidade de nos arrastar ?

A resposta racional seria tão simplista quanto à emocional (quase física): O tempo não para (ops, outra música) para te esperar viver ou resolver aquela pendência, ele vai como rolo compressor e te obriga a tomar decisões rápidas, ainda que não percebemos, assim quase de forma automática, robótica e insípida. A vida acabaria nos tornando assim se não fossem as memórias.

Chico Buarque escreveu em “leite derramado” que a memória é uma vasta ferida. E em relação ao tempo que vivemos, posso dizer que as lágrimas que vertemos, sorrisos, as saudades, os abraços, sabores, aromas, vida – a que se teve e a que se quis -, tudo isso faz parte daquilo que somos, nos tornamos e propagamos. Essa ferida sangra às vezes, mas é uma parte nossa, como um órgão vital que pulsa, dói, incomoda, aperta, mas é o que nos mantém vivos.

O tempo é um cara sacana sem dono, indomável e impiedoso, mas completamente indefeso quando a memória desperta, e dela, não ficaremos imunes. Ainda bem.

 

A música que estava na cabeça é esta:

 

“Eu não vou parar, de querer parar o tempo
De tentar mudar o mundo. e voar por um segundo
Eu não vou parar, vou seguindo como o vento
Um instante é muito tempo, pra quem sabe aproveitar”

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