Para sempre Alice – Livro

aliceNós somos aquilo que pensamos ou sentimos? Com certeza, nosso emaranhado de neurônios em sinapses mostram muito mais do que somos do que um músculo involuntário.

Nossas escolhas, nossos gostos, paixões, predileções, aptidões, personalidade são o que compõem o nosso “eu”, que pode ser moldado e aprimorado ao longo de nossa existência. Acordar sem saber quem somos, não nos reconhecer no espelho ou não encontrar uma resposta óbvia para nossas perguntas.

Imagine que aterrador seria se acordássemos uma bela manhã e não sabermos em que cama estamos? Ou não saber para onde vamos, quem somos, quem fomos, as histórias que conhecemos, as pessoas que amamos, quem esteve sempre ao nosso lado? São questões que não nos fazemos normalmente e situações que não nos imaginamos, exceto quando nos deparamos com o Alzheimer. Foram essas divagações acerca de mim mesma que estive mergulhada enquanto lia “Para sempre Alice”. Não fomos programados para ser desligados. Nós, humanos, fomos treinados a acumular histórias, compor nossa vida baseada em memórias felizes e um bocado tristes, são tudo o que nos formam. Como se cada episódio de nossa vida fosse um tijolo. Construídos, somos alguém, somos.

Para sempre Alice (Still Alice) trata-se do primeiro título da escritora Lisa Genova, que além de ser uma escritora das boas, também é ph.D em neurociência pela Universidade de Harvard. Ou seja, pelo seu amplo conhecimento no assunto, Lisa nos mostra um lado muito científico da doença – mostrando quais são os tratamentos existentes, como este mal vai afetando o cérebro (e o porquê disso), além de disponibilizar o nome de diversos medicamentos utilizados (sendo um fictício). Tudo isso de uma forma extremamente clara e de fácil compreensão, o que deixa o leitor mais a vontade com o tema e, consequentemente, mais tocado pela história da personagem. O enredo do livro é quase poético. Na medida em que conhecemos a história de Alice Howland, uma mulher na faixa dos 50 anos, professora titular de Psicologia Cognitiva da da Universidade de Harvard e extremamente bem sucedida, vamos conhecendo o lado íntimo da personagem. Alice é casada, mãe de três filhos, e acredita ter a vida que sempre sonhou. Até que todo o seu mundo de reconhecimento começa a se desmoronar, pouco a pouco, a medida que suas lembranças vão se esvaindo. De início são pequenas coisas, como “onde deixei as chaves do carro?” e “por que anotei este nome na minha lista de afazeres?“. Mas, obviamente, a doença não respeita o tempo. Sendo assim, Alice vai tomando consciência de que seus esquecimentos banais estão se tornando cada vez mais rotineiros. E vão se transformando em esquecimentos completos, de coisas fundamentais, como por exemplo, onde fica a sua casa.

A partir disso, surge o nome: mal de Alzheimer de instalação precoce (que acomete cerca de 10% dos portadores da doença). E o que todos nós, leigos no assunto, a princípio pensamos sobre este tema, vai por água abaixo. Afinal, a doença é sim caracterizada pela perda progressiva da memória. Porém, com o tempo, tudo acaba se deteriorando. A orientação espaço-visual se acaba, a linguagem torna-se vazia e desprovida de significado, vestir-se se torna cada vez mais complicado, e a dependência total de outra pessoa é fator fundamental. Sabe o que mais? Dos primeiros sintomas ao óbito, a sobrevida média é de 6 a 9 anos. Cruel. Muito cruel.

PS: Recomendo o filme. Alice brilhantemente interpretada por Julianne Moore

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