Sobre chorar

choro01As lágrimas são a válvula excretora da alma. Costumo pensar que elas são o acúmulo, os excessos que acabamos retendo. Retemos quando as lembranças são tudo o que nos resta, retemos porque esquecer um amor é triste, porque perder sempre machuca e porque a tristeza dilacera a alma.

E aí, gota a gota nosso reservatório vai enchendo. Processo lento e doloroso e aí a gente chora pelos abraços não dados, pela distância dos dias, por tudo o que deixamos de dizer (por orgulho ou por falta de tempo), por todas as vezes que falamos demais, por tantas palavras que a gente atira como se fossem facas no alvo cravadas sob a pele exposta.

A gente chora por excesso de intolerância e pela falta de compaixão, chora por cada criança abandonada, por cada velhinho esquecido, pelos animais maltratados, pela fome do mundo, pelo frio, pelo chão, sobre a cama vazia, o membro amputado, a falta de sonhos, o excesso de realidade, o vício, o preconceito, a violência, a dor e o amor. Amor perdido. Amor vencido. Amor infinito.

A alma acumula e a gente chora, tenta aliviar, sofre duas vezes. Esvaziar-se é sempre deixar a dor ir embora, é  perder o vínculo com nossos excessos. É aliviar a bagagem, flutuar. É perder o vínculo aquilo que se fez excesso.

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5 comentários sobre “Sobre chorar

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