Azul é a cor mais quente

Azul-é-a-Cor-Mais-QuenteAzul é a cor mais quente me surpreendeu, não pela estória ou enredo porque eu já sabia do que se tratava, mas surpreendeu pela forma crua como o drama se desenrola.

Adele (Adèle Exarchopoulos) é uma adolescente comum, com seus amigos, escola e relacionamentos, porém ela sente que algo não vai muito bem. Apesar de ter um namorado que todas as meninas de sua idade gostariam, ela não para de pensar na mulher de cabelos azuis, a Emma (Léa Seydoux) que viu na rua. A partir desse encontro, Adele começa a se questionar sobre o que ela é e o que ela quer para si. E no reencontro das duas em um bar lésbico, o amor parece nascer e uma relação se estabelece. Aliás, a cena de sexo entre as duas é de tirar o fôlego, algo que eu nunca havia visto antes.

As questões sociais e o preconceito são nítidos no filme. A relação familiar de Emma é aberta, seus amigos são da sua “tribo”, e ela parece muito mais resolvida com a sua sexualidade, talvez pela sua idade e maturidade. Adele por outro lado, parece mais preocupada com o que as pessoas diriam ao descobrir sua homossexualidade. Em todas as cenas a personagem parece deslocada e numa timidez que chega a incomodar quem está assistindo, algumas vezes até nos constrange junto com a personagem.

O que eu achei interessante em Azul é a cor mais quente, foi em como a homossexualidade é tratada, esperava um filme onde os personagens se assumiriam gays e a partir daí exploraria os conflitos sociais. Mais fidedigno, o filme  passa pela etapa de aceitação e se aprofunda no drama quando a trama dá um salto no tempo e mostra os desafios intrínsecos que se desenvolvem na personagem pela sua opção de manter a sua sexualidade indefinida. Talvez Adele nunca tenha deixado o próprio preconceito de lado e por isso, nunca deixou de se relacionar com homens, como o filme deixa parecer.

la-vie-d-ad-le-2.superbannerNada no filme parece novo ou ousado. Nem a narrativa cronológica do filme e nem a ascensão e queda do romance central. No entanto, o filme é inovador sob a perspectiva libertária sobre o desejo da personagem ainda jovem e em sua maturidade emocional.

Adele começa o filme como uma adolescente estudante inexperiente de vida e termina como uma mulher madura, mais ainda com muita a aprender sobre si mesma e sobre como lidar com suas vontades. Ainda na sua maturidade, é possível vê-la tímida e sempre deslocada como se o lugar dela não fosse aquele.

Como disse antes, o filme é cru, porém não explora muito a questão social do homossexualismo, exceto nas tomadas de Adele em suas relações de trabalho. Faltou mostrar mais os conflitos familiares quando ela assume de vez sua relação. O filme apenas nos dá uma noção sobre o preconceito da família de Adele, e depois não faz mais nenhuma menção sobre o assunto.

De toda forma, Azul é a cor mais quente, é um filme interessante, com diálogos bem colocados, principalmente quando falam de Sartre. Boa fotografia. Pecou na ausência de trilha sonora e no excesso de cenas de sexo explícito, quase virando um pornô (hetero e homo).

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2 comentários sobre “Azul é a cor mais quente

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