Reação em cadeia

201109020707580000003002Quando eu olho a situação da educação desse país, penso na grande bola de neve que tudo se tornou. Ao longo dos anos a situação se arrasta e cada vez piora mais. Como se fosse uma versão desgastada da hipótese do Eterno Retorno que Nietzsche falou. Só que na nossa versão realista, as coisas se repetem, mas a cada nova repetição perdemos qualidade. Perdemos muita qualidade

De um lado tem as universidades privadas que claro, precisam de novos alunos para sobreviver, do outro, há a sede pelo curso universitário. Nada contra essa política de oferta e procura, eu mesmo estudo em universidade privada. Minha preocupação está na qualidade desses alunos. Será que por ser uma instituição privada, aqueles que puderem pagar entram? A impressão que se tem é que funciona exatamente assim. O aluno presta vestibular, que não passa de mera redação (exceto para cursos de Medicina) sem nenhum critério de avaliação, e ingressa no curso desejado sem a menor qualificação, muitos sabem sequer escrever corretamente.Falta vocabulário, falta senso crítico, falta o básico: dominar o próprio idioma. Fico extremamente preocupada com o tipo de profissional esse aluno será.

Mas essa questão me faz pensar em alguns degraus abaixo. Me faz pensar na educação que esse aluno recebeu. A educação pública brasileira caminha a passos lentos desde sempre. Professores com salários de fome que não são valorizados, não têm incentivo para cursos de atualização e aperfeiçoamento. Esses professores ficam sobrecarregados porque para conseguir um trocado a mais, eles acabam fazendo 3 matrículas ou trabalham também em escolas particulares, e com isso, não há cristão no mundo que consiga ensinar de forma decente qualquer coisa à uma turma com cerca de 30 alunos onde muitos deles não recebem a menor noção de educação, boas maneiras e bom comportamento social por parte da família. Por que claro, os pais acham que a obrigação da escola é dar educação a seus filhos. E esses professores que também não receberam uma boa base escolar, entrou na faculdade sem nenhum preparo e hoje leciona para crianças que chegarão ao ensino superior com enorme déficit.

A essa altura do texto o problema parece explícito: Para garantir uma educação de qualidade, devemos investir no profissional educador. Talvez sim, seja esse o caminho. Mas o Estado, ou quem quer se seja, deve investir no seu profissional, oferecendo bons salários, cursos de qualificação, reciclagem. Tratando o trabalhador com dignidade, respeito. Simples assim. Acontece que não é do interesse dos governos, tratar da educação com seriedade, embora dados do Diário Oficial da União mostre que o Governo gastará esse ano de 2013, cerca de R$ 116, 77 Bilhões só na educação básica, isto é, ensino fundamental. Onde está esse dinheiro convertido em melhorias na educação? O dinheiro é convertido em Marketing, conversa para boi dormir e cartilhas para ensinar crianças de 7 a 8 anos como colocar preservativo (nada contra a educação sexual), não vemos esse dinheiro sendo investido no professor, ou em material didático com qualidade para os alunos. Para os governos brasileiros (não só o atual) é muito mais cômodo que a grande parcela da população permaneça alienada, porque uma nação que pensa, que tem discernimento sobre o que é certo, justo e honesto é perigosa demais onde só a corrupção tem voz ativa.

Para uma nação ignorante e pobre de razão, bastam os remédios sociais. Se o aluno de escola pública não consegue competir com um aluno de escolas privadas, o governo cria o ProUni, cria o SiSu, ENEM. Se o negro se auto-exclui da sociedade sem clamar pelos seus direitos: à educação, saúde, segurança e todos os outros direitos garantidos por lei a todos os cidadãos (CF/88), o governo dá uma ajuda com as cotas raciais. Se o cidadão pobre desse país não tem escolaridade suficiente para conseguir um emprego melhor e assim sustentar a sua família, o governo  fornece bolsa família. Para o Governo vale mais uma esmola do que a solução do problema porque isso o forçaria a ser honesto, transparente e alguém lá do poder quer isso? A pergunta paira no ar sem resposta ao longo do tempo.

A reação em cadeia é simplista como propus, mas seus resultados são desastrosos. Cada vez mais teremos um país de marionetes, uma população resignada e largada à própria sorte. Seus direitos sendo vilipendiados, sua dignidade descartada. Pobre de nós que não nos convertemos a essa cegueira coletiva, esse país não foi feito para gente como eu que não aceito calada tanto desrespeito. Essa realidade da qual assistimos estarrecidos me agride, me punge a alma e a todos nós, nos resta esperar por um milagre, porque esperar por inteligência pode levar tempo demais.

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2 comentários sobre “Reação em cadeia

  1. O mesmo acontece com a saúde, Carol. O Governo prefere importar médico do que investir e solucionar o problema no seu cerne.

    Infelizmente não vejo mais solução pra esse país.

    Ótimo texto!

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