Entre vírgulas, reticente

Escrevo com excesso de vírgulas, vivo entre intervalos. Há sempre alguma coisa por fazer que precisamos suspender a vida. Um trabalho, meia hora na fila do banco, um prazo a expirar, um horário a cumprir. Nos intervalos, entre as vírgulas do por fazer é que existimos. É quando a gente consegue respirar aliviado de tão somente ser.

Não gosto de pontos. Me sinto sufocada e pressionada a finalizar. Eu gosto é de prorrogação. Prorrogação do prazer, do riso, do abraço, do beijo, do sexo, do olhar. Prorrogação das horas, do café, da música gostosa, do banho que relaxa. Prorrogação da briga, do choro e da dor. Gosto da dor para me esvaziar, para que eu possa me encher novamente.

Prorrogar é ser reticente, ter sempre um porém, mais alguma coisa a acontecer. Reticências combinam mais comigo, entre os intervalos da vírgula me deixo imaginar, e prorrogo o devaneio daquilo que ficou vago. A imaginação teimosa visita os escombros da memória e remonta em detalhes aquilo que não quero lembrar. A imaginação fantasiosa cria tudo o que eu viver.

 

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