Somos tão jovens

somosAssisti “Somos tão jovens” e estou extasiada, perplexa. Não, não no sentido que se espera, mas eu detestei o filme. Por quê? Porque é simplesmente uma heresia à legião Urbana.

O filme é uma tentativa frustrada de mostrar a gênese de uma banda, o “nascimento” de um mito, porque sim, Renato Russo foi o fôlego que a música, o rock nacional precisava e ele era mesmo tudo o que se fala dele: Mito e poeta. Renato e sua forma intimista de ver o mundo conseguiu nos (me) tocar como poucos. Havia em suas letras um clamor que era de todos nós, suas músicas desde o aborto elétrico se tornaram um hino para todos jovens, letras provocativas e de protesto ensinaram uma geração inteira a pensar sozinha, a se rebelar contra a repressão. Renato Russo conseguia traduzir o que os jovens queriam dizer.

E aí de repente vem esse filme mal feito com atuações caricatas que beiram ao ridículo e deturpam a banda inteira. Achei absolutamente artificial o ator (Thiago Mendonça)  forçar a voz e o trejeito de Renato, achei também de péssimo gosto ver parte de suas letras estampadas nas suas frases em conversas com a amiga “Aninha” ( que aliás, a atriz Laila Zaid é quem salva o filme com atuação impecável).

Quando se interpreta um personagem real, principalmente sendo ele famoso, não se pode atuar como imitação.. Porque se a imitação for boa, a atuação vai ser ruim.. E se a imitação for ruim, a atuação vai ser cômica. Assim é o filme: Superficial e cheio de imitações cômicas, cenas sem função e péssimos diálogos.

Fora o ritmo que chega a ser perturbador, não existem pausas no filme, passamos três minutos em um lugar para, do nada, mudarmos de cena e em cinco minutos, passeamos por seis lugares diferentes. O personagem age de uma forma para, no segundo seguinte, voltar atrás. Não é assim que é a vida, e eu tenho certeza de que com o Renato Russo também não era assim, além de tudo, o roteiro ainda é incoerente com a história e com a gênese da legião urbana.

Com certeza o filme não foi feito por fãs da Legião como aconteceu com o filme sobre o Cazuza, que soube captar com fidelidade a vida e o sucesso daquele poeta. Saí do cinema frustrada porque esperava mais, como sempre esperamos daquelas obras que retratam também parte de nossas vidas, porque é inegável que a Legião Urbana é trilha sonora de cada parte de nossas vidas. Da minha não é diferente. Mas eu saí frustrada ainda mais porque o roteirista sequer se preocupou com detalhes importantes que culminaram na Legião Urbana, detalhes que fãs antigos não deixam passar.Senti muita falta de movimento punk de que tanto Renato falava, ainda é cedo aparece no seu segundo disco, quando no primeiro a riqueza da herança punk é deixada de lado. Sem contar que senti falta do Renato Rocha.

Para não dizer que não me arrepiei e derramei algumas lágrimas saudosas, a música “Ainda é cedo” me arrancou suspiros e só por isso valeu assistir. Mas sem medo de que me odeiem, eu acho que o título mais apropriado para o filme é “tempo perdido”.

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4 comentários sobre “Somos tão jovens

  1. Rodrigo Maceddo disse:

    Eu achei horrível. Tosco. Os artistas tocando são péssimos. Mesmo a parte punk (que muita gente acha que é facil mas não é bem assim) tava muito ruim.

Vai, agora é a sua vez de falar

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