Save me

Eu ando pelas ruas dessa cidade maravilhosa e vejo o teu sorriso em cada rosto que passa por mim. A tua falta me dói como se fosse um órgão, como um membro amputado do meu corpo. Antes, todas as noites eu sonhava contigo, você estava presente em cada pequena coisa do meu dia, hoje tenho medo de fechar os olhos, o vazio dentro de mim é mais denso do que o vácuo da tua ausência pelos meus cantos. Aos poucos, vou deixando de ouvir a tua voz nos meus ouvidos e já não reconheço mais o timbre das tuas palavras.

Vejo as tuas fotos e o teu rosto já não é mais familiar, naquelas imagens não te vejo mais sorrindo pra mim. Parece que você virou um cartão postal, um clipe, um trailer  de um filme antigo que faz a gente sentir falta do passado, e nossa história passa sempre em câmera lenta pausando nos momentos que passaram depressa na hora vivida. Sufoco então, todos os meus sentimentos, desejos e sonhos para não sucumbir a dor da nossa solidão e projetos que nunca saíram do papel.

Olho em todos os rostos e te busco em cada um deles, quando vejo o mar é que lembro mais de ti, na imensidão azul do horizonte, recordo-me dos teus olhos , me sinto um grão de areia quando percebo que pra ser muito, é preciso ser todo. Contigo fui completa e hoje sou um peixe fora do meu aquário, antes quando nada tinha vida, tu eras o meu oxigênio.

De tudo me restou uma vasta coleção de perguntas sem respostas e alguns SEs pra considerar. Parece que tudo (ou nada) se resumiu a meras hipóteses, planos de investimento sem depósito. Empresa que faliu. Agora eu rogo a um Deus que não sei se ainda me ouve. Eu peço aos santos que nem mesmo acredito que existam. Apelaria para a ciência se nela estivesse a solução para todos os meus questionamentos. Apelaria por um tamponamento nessa ferida que abriu bem aqui, quando tu decidiu me deixar.

Meus gritos surdos ecoam pelos meus poros e em silêncio rezo e choro para que essa tortura acabe logo. Lembro das tuas palavras ditas, confessadas, sussurradas e nem mesmo posso acreditar que tudo tenha terminado. “Se a minha voz tivesse força igual à imensa dor que sinto, meu grito acordaria, não só a minha casa, mas a vizinhança inteira”. Eu me gastei pra não sobrar nada. Espremi, enxuguei e queimei até a última ponta pra ver se conseguiria virar a página, mas não saio desse prefácio inacabado. Não consigo dar o ponto final. Encerro a conta e não contabilizo as vitórias.

 

Escrevo cartas e as ponho em garrafas na esperança cega de que alguém me leia, me encontre e me salve

 

 

“Somebody save me let your warm hands break right through…

I’m still waiting for you”

[save me – Remy zero]

 

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2 comentários sobre “Save me

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