Iguais na diferença

Tento em vão descobrir as origens do preconceito. A significação da palavra nos faz entender que são conceitos preliminares que criamos a cerca daquilo que não conhecemos. Porém, tenho visto a palavra preconceito sendo análoga à não-tolerância das diferenças e isso abraça todos os tipos de discriminação, ou preconceito se você preferir: De classes sociais, de raça, cor, credo, religião, cultura, nível intelectual e tantos outros que proliferam como praga em nosso jardim.

O que é ser diferente se somos todos iguais na dor, no amor e no rancor? Responderiam-me os mais afiados que a diferença está em não ser como a maioria, dizer-me-iam que é tudo aquilo que não é normal. Mas quem pode nos dizer aquilo que é anormal ou não diante da sociedade torpe que banaliza preceitos básicos como a vida, a violência? Nossa sociedade vive sob estigmas, padrões idealizados por quem não presa a liberdade e a diversidade, aprisionada a conceitos e determina modelos, esquecem-se da premissa de que somos iguais nas diferenças que nos cercam.

A discriminação é um exemplo claro de que não suportamos as diferenças. Por exemplo, o preconceito contra homossexuais. Sexualidade não é opção como alguns pensam, eu não escolhi gostar de homem, eu nasci assim, heterossexual, eu não sou hetero porque acho feio se gay, eu sou hetero porque não me interesso por mulheres, nunca me interessei. A partir daí, eu não considero diferente um homem que curta homens e nem mulheres que gostam de mulheres, cada um é, ou deveria ser, livre pra ser como é, sem se preocupar com que os outros pensam, digam ou façam.

Ser minoria é ser destacado dos demais, esse ser destacado é o que gera conflito às pessoas que julgam se padrão, aquilo que a maioria apresenta. Vários exemplos podem ser apontados, eu cito o Big Brother Brasil 10 que selecionou os participantes em tribos, cada uma representava a diferença: Sarados, cabeças, coloridos, belos e ligados. Houve quem considerasse isso uma evolução, visto que grupos diferentes poderiam viver harmoniosamente em conjunto. Eu acho o contrário, diferentes grupos vivem harmoniosamente  onde não existem diferenças entre as pessoas e onde a aptidão de cada um sirva apenas para melhor integrar o meio em que elas vivem.

Negar igualdade às pessoas é ferir o principio da isonomia que consta na nossa constituição federal de 1988 no seu 5º artigo, que diz em linhas gerais, que todos somos iguais perante a lei. E se pararmos para pensar, somos uma raça mesquinha demais, precisamos de uma lei de preceito quase estritamente moral pra nos ditar que somos iguais. Nos assemelhamos às ovelhas, que não ouvem e não enxergam bem precisam ser pastoreadas para não se perderem pelo caminho. Dignidade à pessoa humana precisa ser assegurada em lei porque a moral autônoma de cada um esquece que antes de sermos iguais perante a lei, somos iguais perante a vida.

Somos a pior espécie. Matamos por pouco, violentamos por nada e morremos por muito menos.

 

Anúncios

Um comentário sobre “Iguais na diferença

Vai, agora é a sua vez de falar

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s