Intimidade pública

Vivemos em uma época em que a sociedade apela para uma inversão do público e do privado e, por quê não, de valores?

Antes, o gostoso era o perigoso, o secreto era o que inspirava maior interesse, era o que instigava a descobrir, desvendar. Como desnudar, é sempre uma expectativa de chegar onde não era visto. Hoje não, hoje todo mundo quer saber de tudo, revelar tudo, abrir as portas, tirar a roupa. O encanto do mistério, do descobrir, extinguiu-se.

Vivemos agora num mundo em que a privacidade tornou-se anacrônica, a discrição perdeu-se em desuso. Parece que todo mundo sofre de uma espécie de síndrome do Reality show, onde o privado não interessa. A massa anda ávida por exposição, nossa e alheia.

Vejo pessoas se expondo demais no twitter, facebook, blog e depois clamando por privacidade. Exposição é uma via de mão dupla, as pessoas só ficarão sabendo sobre a sua vida, aquilo que você deixar saber e isso vale para todas as pessoas, figuras públicas principalmente. Não estamos falando aqui obviamente de fotógrafos que se escondem para flagrar artistas porque esses invadem a privacidade. Mas estou falando de pessoas que expõem sua vida particular, contam detalhes sobre sua vida amorosa, divulgam fotos e vídeos em redes sociais, abrindo automaticamente as portas para críticas, opiniões insidiosas, julgamentos e pré conceitos, porque as pessoas são assim mesmo, elas vão fundo nas histórias que ficam sabendo, vasculham, adoram mesmo saber da vida alheia.

Se não fosse assim, as revistas de fofoca não venderiam tanto. As pessoas curtem mesmo uma conversa de alcova, elas se interessam pela intimidade do outro não só como forma de identificação como me disse um profissional deste tipo de jornalismo. A curiosidade pelo próximo é da natureza humana, mas as pessoas também gostam de ocupar-se da vida alheia, porque é muito mais fácil julgar, apontar erros e corrigir problemas que não são seus. ocupar a posição de juiz e juri é muito mais confortável do que a do réu, sendo ele, culpado ou não.

Agora, cá pra nós. Não existe no mundo coisa mais chata que celebridade e sub celebridade que passa o dia inteiro em rede social contando onde vão, o que comem, com quem estão, como dormiram, colocando foto de festa, comentando da noite anterior, da tarde de hoje, da viagem de amanhã e depois clamam por privacidade nessa mesma rede social. Reclamam que suas vidas não é um livro aberto. Mas quem foi mesmo que abriu a primeira página? Quem contou suas histórias, se banalizou? Exposição. Uma faca de dois gumes. As pessoas  só têm de você aquilo que você forneceu.

Os comentários sobre a vida “particular” e a intimidade de quem se expõe é o ônus de seus atos, e talvez seja até um bônus, afinal é a polêmica que a faz a (sub) celebridade ser lembrada quando é conteúdo que lhe falta, mas a boa notícia é que as pessoas, na sua grande maioria, têm memória curta e logo estarão ávidas por outras notícias fresquinhas que nenhum jornaleco se dá ao trabalho de pesquisar. Twitter está aí pra isso, bebê.

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3 comentários sobre “Intimidade pública

  1. Oi, Carol. Tudo bem?

    Sou obrigado a concordar com tudo o que você escreveu por que essa é a realidade atual das redes sociais! As pessoas se esqueceram do que é ter vida pessoal da social, no fim acabam se confundindo com tudo e, como consequência, tentam encontrar um culpado pra tudo.

    E sim, o Twitter virou a rede social do desabafo! As pessoas escrevem tantos detalhes íntimos que eu fico com #vergonhaalheia. But, this is life…

    Belo texto.

    Bjs!

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