Por que escrevo?

Escrevo primeiramente para me esvaziar. Essa necessidade de me esvaziar vem de muito longe, dos tempos idos de escola onde eu conseguia me debruçar numa folha de papel e traduzia mundos infantis.

Hoje traduzo a alma, a minha constantemente e tenho conseguido, porventura, traduzir a de quem me lê, quem se identifica com o que eu escrevo e se enxerga nas minhas linhas se sente um pouco decodificado e eu, lisonjeada de conseguir chegar tão longe.

Escrevo desde sempre porque tenho alma inquieta, olhos atentos e memória fugidia que absorve, retém e se acumula. Escrever é catarse e cabe tudo neste pequeno grande ato.

Quando escrevo, consigo o ápice daquilo que sou, consigo mostrar um pouco como sou por dentro. Escrever é minha cirurgia íntima, abro aqui e ali sem anestesia, eu gosto de sangrar, gosto do ferimento exposto, da dor ao remexer nos meus expurgos e o alívio é momentâneo, dura até a necessidade de abrir tudo de novo e me esvaziar inteira.

Escrevo para exorcizar meus demônios, para calar meus fantasmas e para dar forma ao meu eu mais íntimo. Escrevo quando a vida se torna insuportável, quando os ventos me arrastam para terras remotas. Escrevo quando a vida está linda, faço o roteiro dos sonhos e deixo como registro para lembrar que fui feliz (A gente nunca sabe quando os maus dias chegam).

Escrevo minha realidade e faço dela ficção. Escrevo numa verdade inventada, brinco com ela de mentira, reescrevo como realidade a minha verdade de ficção. Não escrevo bem, não escrevo mal. Escrevo como entendo, como leio e como penso.

Escrevo pra falar, escrevo pra tocar. Escrevo por sentir e pra dar sentido. Escrevo pra sorrir, pra não chorar, escrevo pra não esquecer e pra nunca deixar de lembrar. Sem rima faço poema, sem métrica, sem técnica e sem pretensão aprendi a escrever. Entendo bem do Pessoa quando diz que o poeta é um fingidor. Escrever é forjar e isso não é mentir, forjar é criar, dar beleza ao que não tem cor, é florear o deserto, é pintar o mundo com lápis colorido, é como música aos ouvidos, infla a alma, descobre sorrisos.

Escrever é arte, é necessidade. Escrever é uma arma potente, rastro de pólvora que deixamos pra alguém acender quando ler. Escrever é traduzir mundos, é ilustrar com palavras, é a arte de reunir em palavras aquilo que se sente, aquilo que agride, aquilo que conforta. É a arte de fazer carinho em caracteres.

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10 comentários sobre “Por que escrevo?

  1. Cleber Nascimento disse:

    Carol,
    sou um privilegiado em ter a felicidade de receber seus textos.
    Maravilhosos sem dúvida alguma… textos que trazem conhecimento !
    Parabéns por escrever maravilhosamente bem 🙂

Vai, agora é a sua vez de falar

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