Música – visão pessoal

Não sei o que acontece com a música brasileira, de uns anos pra cá tudo ficou tão pobre, tão tosco, tão raso. Olho para trás, um passado não muito distante e era tudo tocado, rimado, letrado, delicia de ouvir, de viajar, relaxar. A música deve ser um carinho aos ouvidos e não agressão.

Recebi muita carga musical dos meus pais e fui criada dentro da MPB e do rock, não fui uma criança que cresceu ouvindo Xuxa e Balão Mágico, mas Tom Jobim, Chico Buarque, Raul Seixas, The Beatles, Elis Regina, U2 e tantos outros gênios da nossa música. Eram músicas ricas, com vocabulário rebuscado e poesia, como nas letras do Cazuza e da Legião Urbana. Músicas com sentimento, alma e coração. Cresci e ampliei meu leque musical e aprendi que a música é subjetiva demais pra que a gente possa dizer que alguma coisa presta ou que outras não. A música tem carga cultural imensa e varia de região para região, mas é democrática e cabe em qualquer rádio, em qualquer classe social. A música tem sua importância social, nos diz também sobre quem somos e o que nos tornamos.

A música brasileira é diversa e tem espaço para todos os gostos, do rock ao funk, porém tenho percebido que a qualidade musical (que nada mais é que um conjunto harmônico de: letra, interpretação, voz e arranjos) vem decaindo drástica e e exponencialmente. Passei o fim de semana ouvindo sons novos pra mim, coisas que fogem daquilo que estou habituada a ouvir e por isso jamais poderia julgar. Ouvi de tudo um pouco, principalmente a nova geração de músicos. Fiquei chocada com as letras pobres da grande maioria das bandas novas que nascem e com a mensagem passada, é tudo mais do mesmo, ninguém vem com um diferencial que se destaque, que valha realmente a pena parar para ouvir, pensar nas letras

Mas me surpreendi positivamente com Nx Zero, a banda está muito diferente, musicalmente falando, desde a época de razões e emoções, letras mais elaboradas e não muito melosas como antes. Tenho me surpreendido também com Agridoce, projeto paralelo da Pitty e com Martin Mendez (guitarrista da banda Pitty). Agridoce remete a uma música mais intimista, marcadas com piano e com letras intensas, com vocabulário rico, gostoso de se ouvir. Tenho gostado muito também da Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci que cantam poesia com letras bem escritas e musicalidade gostosa do timbre de Tulipa misturada a de Jeneci. E deixei de lado alguns preconceitos que eu tinha com o Teatro mágico. São algumas jóias da nova música brasileira que na minha parca opinião fazem valer a pena ligar o rádio, assistir ao show.

Tenho uma certa decepção dessa nova geração brasileira que não se mira no imenso legado que temos, dessa nossa gama imensa de bons compositores e letristas. Saber tocar algum instrumento e ser afinado não é saber fazer música, é preciso ser original sem no entanto deixar de se espelhar naqueles que fizeram alguma coisa realmente boa, muito além de um verão de sucesso, da modinha de carnaval. Música é expressão de arte, livre sim, mas precisa de ordem senão vira poluição. Eu preferia que sofrêssemos com escassez de bandas e “novidades”, mas que preservássemos a boa música, a letra perfeita, o timbre marcante.

Posso ter escrito a maior idiotice do século, não tenho formação musical além daquela que recebi desde o ventre da minha mãe até hoje, a de perícia auditiva, a capacidade de discernir aquilo que é bom e aquilo que é ruim segundo minha subjetividade e identificação. Mas é assim que eu vejo e entendo a música, como forma de expressão que precisa ser bem trabalhada, como uma pedra preciosa, que em seu estado bruto não encanta, mas se polida, talhada ela ganha valores altos que servem tanto para encantar os olhos, quanto para afagar o coração.

Anúncios

2 comentários sobre “Música – visão pessoal

  1. pois é Carol, fui criado também no meio de muita música e aprendi a definir bem o que eu gosto.

    Como vc disse, música é subjetiva e vai de acordo com a nossa cultura, daí fico pensando no tipo de cultura que esses jovens vêm adquirindo para cair tanto em qualidade como vc tão bem discorreu.

    Será que falta leitura? será que falta bagagem de vida? é muito triste que só tenhamos boa música se buscarmos no passado, salvo algumas exceções que vc disse, como Agridoce e Tulipa Ruiz, eu acrescentaria a Maria Gadú.

    Música deve mesmo ser carinho aos nossos ouvidos, jamais agressão.

    Grande beijo.

  2. Assim como você, eu também fui criado, ouvindo músicas boas, ouvindo Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Benito de Paula, Jorge Ben Jor e outros. Como você, eu também me surpreendo com poucos músicos, que ainda mantém a boa qualidade na música brasileira, mas além destes que você citou, eu tomo liberdade de citar o Seu Jorge, Marisa Monte, Ana Carolina e outros do gênero.

    O problema que existe hoje, é que a nossa juventude de hoje está valorizando muito as músicas lixo, como é comum ouvir nos funks e sertanejos universitários, que banaliza a sexualidade. Creio que tem que se resgatar esse valor da música brasileira, até então perdido.

Vai, agora é a sua vez de falar

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s