Baile de máscaras

Acho uma delícia quando as máscaras começam a cair lentamente e o ser humano mostra sua real face – seu eu nu e cru. Não digo que as pessoas mascaradas se escondem em um avatar para não serem identificadas, mas acredito que as pessoas se vestem de personagens conforme a ocasião. É como nos comportamos com relação às nossas roupas. Não saímos de pijamas, não trabalhamos com roupas de festa, assim como não saímos às ruas sem roupas. Existe uma roupa adequada para cada ocasião, assim como a ocasião dita o nosso comportamento, são os avatares sociais que a gente precisa ser, as máscaras do nosso dia a dia.

Fazemos aquilo que é moralmente aceito, mas quando estamos a sós, ou em algum momento mais intimo, despimos de nossas capas e máscaras e viramos nós mesmos, com toda intensidade e crueza que carregamos. Isso não significa usar de falsidade ou hipocrisia, mas a formalidade ou informalidade de qualquer lugar vai nos dizer como agir. No meu ambiente de trabalho eu não posso agir como se estivesse em um bar e vice versa. As situações é que ditam nosso agir.

Gosto desse cair de máscaras, dessa revelação lenta, sutil e progressiva, de ver crescer o instinto e deixá-lo indomável até afogarem-se um no outro: Comportamento social e comportamento real. A cada dia uma surpresa, uma novidade.

Quem algum dia vai dizer o que é certo e o que é errado entre as pessoas? E que aquilo que elas desejam está além de qualquer moralidade, acima de qualquer regra de sociedade? Qual é a cartilha daquilo que é normal, certo ou errado, que eu nunca li? Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é (Já dizia Caetano Veloso).

Eu gosto de provar sabores, misturar as cores e vê no que dá. Não gosto de fórmulas prontas e nem de regras, odeio rótulos e regras de boas maneiras. Sou sem direção, corro pra onde o coração e o desejo me mandar, sou apegada a desejos, sensações, cheiros e gostos. Sou fiel a mim e sendo assim, sou fiel em tudo.

Gosto do inesperado, coração acelerado, corpo excitado. Gosto do prazer lento que deixa rastro, gosto de seguir meus instintos feito um animal faminto e selvagem. Gosto quando alguém me completa, me sustenta e me enlouquece. Gosto músculos retesados diante do inesperado e o medo percorrendo o corpo parecendo fio de alta tensão.

Gosto do espetáculo das máscaras, mas prefiro o show quando as cortinas fecham e todas elas caem.

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3 comentários sobre “Baile de máscaras

  1. Zeca disse:

    Mais um texto absolutamente inspirado e pertinente.
    Sem dúvida desde sempre nos moldamos ao que recebemos como valores e como os interpretamos.
    Os códigos morais de comportamento sempre variaram de acordo com as regiões do planeta, credos religiosos, e a media que o tempo avança e a medida que o tempo avança, como consequencia, nenhum desses valores é absoluto e eterno, a não ser a busca de ser feliz e o respeito ao próximo, quem nem sempre não tão rigorosamente observados.
    ótima semana!!
    bjos

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