Conquista em tempos modernos

Ultimamente tem sido mais fácil ( e rápido) praticar a arte da conquista, é que a era informatizada nos oferece preciosos atalhos. Por exemplo, num tempo não muito longínquo, quando alguém gostava de alguém numa balada, trocavam poucas palavras, beijavam, se amassavam e trocavam número de telefone. Às vezes se ligavam no outro dia, noutras, não ligavam nunca mais. Hoje, a tecnologia facilitou (ou atrapalhou) a vida e ali na balada mesmo trocam arroba no twitter e se aceitam no facebook.

Se o casal da balada se telefonasse e marcasse um encontro, podia acabar em relacionamento com pedido formal aos pais e namoro de sofá no domingo, com direito a interrogatório do pai da mocinha. Hoje, quando o casal percebe alguma afinidade maior que a de ficar juntos, como uma banda, filme ou time em comum eles mudam o status no facebook. Trocam mensagens eletrônicas açucaradas, mandam 467 DM’s por dia, fora os e-mails e posts românticos. Os amigos de um se tornam o amigo do outro e uma mínima briguinha entre o casal já vira falatório online, com inclusive, enquete no facebook pra saber quem é que está com a razão.

Então, na pior das hipóteses, as pessoas se acomodam, o namoro cai na rotina do tempo, as mensagens ficam menos frequentes e o álbum do facebook há tempos não sofre alguma mudança. Não exibem mais beijos apaixonados, declarações em 140 caracteres e a DM vira depositório de DR que servirão de provas posterioras para saber qual dos dois tinha razão. No msn você não tem paz se fica 2 minutos sem responder à moça e ela não pode ter nenhum amigo que ele não conheça e o e-mail agora você só recebe atualização do Personare e ele, do Papo de Homem. Fim dos textos melosos e aquele blog lá… acabou, ela fechou.

Fim do namoro. OffLine. Perfis apagados, alterados, fotos novas, status atualizado. Ninguém conversa mais, nenhum dos dois procurou saber porque acabaram desistindo assim. E a vida prossegue, e logo o status será preenchido, novas fotos substituirão as velhas e o ciclo se repete até alguém perceber que relações superficiais não passam de fogo fátuo.

Relendo o livro Amor Líquido do sociólogo Zygmunt Bauman percebi que hoje em dia as pessoas têm medo de se comprometer e acabam caindo nessa trama acima descrita por puro comodismo. Uma relação sólida dá trabalho, é difícil sobreviver as agruras do amor. Tolice achar que amar é viver um conto de fadas.

No mundo líquido que vivemos, ninguém quer se relacionar, mas ninguém quer ficar sozinho, acabamos barganhando companhia por aquilo que podia ser caro, mas se troca por muito pouco.

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4 comentários sobre “Conquista em tempos modernos

  1. É minha querida, se aventurar em relacionamentos sólidos e duradouros não é mesmo pra qualquer um. Relacionamentos líquidos é a rota de fuga daqueles que são rasos e têm medo de aumentar seus laços. Já fui assim, todos já foram em algum momento da vida.

    Maravilhoso teu texto, permite muitas discussões.

  2. Cleber Nascimento disse:

    Mais um excelente texto, Carol !
    Acredito que a grande dificuldade hoje é, construir relações saudáveis… Respeitar a individualidade do outro, e amar incondicionalmente.
    Parabéns pelo belo texto 🙂
    Beijos

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