A tal inclusão digital

Ok, me chame de preconceituosa se quiser, mas eu não gosto da inclusão digital, inclusive, considero ela uma das piores coisas já estimuladas até hoje,por quê? Porque permitiu a manifestação online de pessoas sem o menor senso de direção, ridículo, educação e cultura.

É fácil ‘esbarrar’ com pessoas praticamente analfabetas navegando na rede, pessoas que mal sabem escrever o próprio nome, mas têm msn, orkut (eles sempre têm), blog, facebook e agora, twitter. Um dia desses, uma pessoa no meu msn disse que gostava de ‘gangues em houses’,entendi que ele estava querendo dizer guns n’ roses porque a gente estava falando de música, mas não pude evitar a risada.

De certo, o principal objetivo da inclusão digital era o de ‘culturanizar’ as pessoas, a globalização pedia mesmo uma maior socialização. a proposta era e é excelente, mas jogar pessoas cruas na internet é aumentar a desinformação e a imbecilidade, não é a toa que as pessoas atribuem textos de outras pessoas a escritores famosos. As pessoas não leem, não pesquisam, não querem aprender e sim ter tudo mastigado.

A internet deixou de ser uma fonte de informação segura. Há um tempo era possível fazer uma boa pesquisa com ótimas referências no google e wikipédia, hoje não mais. A internet virou terra sem dono, cada um faz o que quer e da forma que achar mais conveniente, prova disso é o aumento de hackers, spams, plágios, fakes e crimes mais sérios como pedofilia, racismo e homofobia. Fico triste e envergonhada quando vejo pessoas com analfabetismo funcional, com dificuldade de entender um texto simples. Pessoas que escrevem errado sob a justificativa idiota de que na internet pode-se escrever errado, porque é “linguagem de internet”.

Claro que o avanço da tecnologia nos trouxe muitas vantagens através da internet, hoje as pessoas podem comprar sem sair de casa, visitar museus e bibliotecas, pagar contas, e inúmeras vantagens. É possível também conversar com pessoas que moram do outro lado do mundo via skype, msn; reencontrar e reunir antigos amigos no facebook; promover encontros via webcam; tranquilizar a família no caso de tragédias como ocorreram no Japão, aparecer e se mostrar no youtube; e formar opiniões, mostrar seu trabalho nos blogs, sem contar o twitter que espalha mais notícia do que a minha vizinha fofoqueira. A tecnologia encurta distância e tira muita gente da solidão. Fato.

O mundo está mais rápido e a informação precisa estar também, assim como nossa percepção e absorção precisam acompanhar a demanda, o fluxo. Uma geração como a minha que não cresceu em frente a um monitor e nem falava no celular se inseriu ao mundo virtual sem grandes dificuldades, mas sempre trazendo consigo uma bagagem de experiência, ou pelo menos deveria trazer, pra que ela só complemente e aperfeiçoe aquilo que já sabe. Essa nova geração não, eles já estão nascendo com perfil em todas as redes sociais, tendo celular cada vez mais cedo e se expressando cada vez mais cedo também, é com essa geração que a gente precisa se preocupar, é com o nível de informação e influencia que eles adquirem, que a gente tem que ficar de olho.

Com a inclusão digital, a sensação que se tem é que, já que a internet tem esse poder de fornecer cultura sem sair de casa, meio caminho andado à favor da educação e não é bem assim. Lugar de se aprender é na escola com professor, livro e muito exercício. Cultura a gente adquire com conhecimento e experiência vivida. A internet não é e nunca foi uma ferramenta educadora, ela pode ser apenas um apêndice, um complemento para quem já tem alguma base e noção sobre o que se lê. A internet é uma arma em potencial, mas depende muito das mãos de quem a maneja.

Antes de haver internet para todos, deveria haver escola de qualidade para todos, não somente como slogan do governo.

Eu não sou a favor da inclusão digital sem antes não termos uma inclusão educacional de verdade. Se isso é ser preconceituosa, então eu sou.

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10 comentários sobre “A tal inclusão digital

  1. Excelente texto Carolina, concordo com vc que a internet acabou virando essa terra de gente sem noção e criminosa, creio que deveriamos mesmo ter educação antes de internet, e por que não, agregar os dois? teriamos um maior e melhor aproveitamento.

    Eu tbm sou preconceituoso nesse caso.

    • Carol Machado disse:

      seria ótimo se a gente pudesse agregar os dois, João. Mas cada dia mais me convenço que educação e internet são desproporcionais pra grande maioria das pessoas

  2. Concordo e também assino em baixo. Os programas de inclusão digital brasileiros apenas disponibilizam as ferramentas a que nem sabe ler os manuais de uso. Para mim, é mais uma das inúmeras medidas paliativas adotadas pelo Governo apenas para engrossar algumas estatísticas.

    • Carol Machado disse:

      Pois é Jocilane, eles jogam as pessoas na internet sem o menor cuidado e preparo e não tô falando só na questão da escrita, mas quantas moças são ludibriadas por homens, pedófilos através da internet? é preciso mudar isso, eu acho.

  3. Vou copiar um trecho teu e colar no facebook, que coisa não?! hehe Mas te darei os louros desse belo texto. Concordo em pontos com o que tu falaste. Fico muito preocupada é com a inclusão digital infantil que cresce cada vez mais. Por mais que a competitividade esteja crescendo e se queira preparar uma criança cedo para isso, acho que é realmente exagero largar criaturinhas “cruas” como tu mesma disseste na frente de um computador, iPad, seja lá o que for. Os pequenos estão “viciando” na tecnologia, até mesmo em casa perdendo tempo de brincadeiras, leituras, para passar horas na frente de uma tela. Eu acho que deveria ser estipulada uma idade mínima para se deixar uma criança ter acesso a tudo isso. Em escolas, nem mesmo os professores são suficientemente preparados para dar aulas com tais ferramentas. O que vão ensinar as crianças? Poucos sabem mexer em um computador, mal utilizando um básico Word, vejo isso pelos professores de educação infantil que conheço. Ensinar a navegar na internet é algo relativamente simples, gostaria de ver é agregar conhecimento sólido em editores, programas, qualquer ferramenta útil futuramente.

    Parabéns pelo blog! Te salvei nos favoritos. Abraço.

    • Pois é Luana, as crianças estão cada vez mais e mais cedo online, expostas a toda sorte de conteúdo e perdendo a chance de estarem aprendendo ou simplesmente deixando de ser crianças.

      É um erro empurrar uma ferramenta tão ampla como a internet numa criança ou numa pessoa sem o mínimo de bagagem..

      Abraços

  4. Olá,

    Parabéns por seu Post, pois retrata com exatidão essa questão.

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