Intolerância dos dias

O mundo anda cada vez mais intolerante e a coisa já anda beirando ao desespero. Não sei bem ao certo quando a merda toda começou, talvez tenha sido lá atrás na época em que Caim matou Abel por um motivo tão banal que parece até que foi hoje. Depois foi Hitler com aquela coisa idiota de eugenia e o mundo todo virou essa grande segregação: Você presta, você não. Você é bom, você é ruim. Ninguém mais sabe lidar bem com essa coisa de ser diferente.

Hoje ser diferente é motivo de medo. Tenho medo de andar nas ruas e ser discriminada por ser baixinha, ser gordinha, ter cabelo bom, ter 30 anos, ser solteira, vai que acham que sou errada por não querer casar ou não querer ter filhos, ou gostar de homem com barba e não gostar dos sarados? Sério,parece piada, mas eu tenho medo dessa intolerância toda, dessa nossa sociedade bélica que agride gays, que matam por uma fechada no trânsito, que depredam carros porque seu time perdeu, que agridem por ser inteligente, por ser magro, por ser gordo, por ser feio, por ser bonito, por ser pobre, por ser rico, por ser branco, por ser preto e a gente fica sem saber de que lado fica, porque se escolhermos um time, todo o resto é rival.

Não existe justificativa para a violência, ela é sempre irracional e não precisa ser física pra ferir, pode ser moral, psicológica, emocional. Ela machuca e dói, tanto quanto todas as outras. E a gente ri, ameniza, disfarça, engole o choro e finge que o soco não doeu. A gente faz piada da nossa própria desgraça, porque disseram que rir torna as coisas mais leves e porque assim, o agressor fica ridículo. Mas a gente se fecha na nossa fuga de cada dia.

Pessoas que ofendem as outras e agridem sem saber da real história, sem procurar ouvir o outro lado. Gente que sai xingando sem te conhecer, gente que acha legal ridicularizar as pessoas só porque não gostam de alguém que elas gostam, só porque alguém fez alguma coisa que elas não gostaram. As pessoas têm a esquisita mania de achar que as pessoas devem seguir um padrão, um modelo de conduta e esquecer suas particularidades, devem abandonar seu livre arbítrio e fazer tudo como se fossem programados, fantoches de uma sociedade civilizadamente (?) hipócrita.

Num mundo moderno vivemos como pré históricos, involuímos na busca pela evolução.

Nossa eterna ironia, nossa infinita contradição.

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2 comentários sobre “Intolerância dos dias

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