Contágio

Assisti ao filme contágio com um pouco de expectativa, em parte pelo elenco (Jude Law, Matt Damon, Kate Winslet e Laurence Fishburne) e em parte pelo alarde que se fez, na época do lançamento do filme, em torno das epidemias e pandemias de vírus que se espalham pelo ar. Em 2009 a população mundial (ou parte dela) assustou-se com com o H1N1 (gripe suína).

Ninguém está a salvo dessas armas de destruição que se adaptam ao nosso clima, organismo e medicamento. Como poderemos nos defender de um vilão invisível? Hoje temos vacinas das quais a população em massa não tem acesso, ela se restringe a gestantes, crianças até cinco anos de idade, idosos e profissionais de saúde. Quem não entra no grupo, se não puder pagar, sente-se vulnerável e totalmente a mercê dos vírus.

Lembro que vivenciamos um estado de pânico generalizado, as pessoas andavam nas ruas preocupadas em respirar livremente, algumas usavam máscaras cirúrgicas, outras preferiam ficar em casa com uma falsa sensação de proteção. Na época em que o vírus estava “ativo” faltou álcool em gel e repelente nas farmácias, as pessoas não ficavam em locais fechados, enfim, mudaram-se os hábitos e noções de higiene. O medo passou, o risco não.

O filme contágio não fala do H1N1, mas fala do MEV-1 um vírus emergente transmitido por morcegos que mata e 1 de quatro pessoas infectadas, cujo o principal sintoma é uma inflamação no cérebro, parecida com uma meningite. A ação do vírus é rápida e silenciosa.

Claro que o filme acaba esbarrando na previsibilidade que todo mundo está cansado de assistir, mas toca em algumas questões importantes que nos faz questionar sobre a nossa suscetibilidade aos vírus emergentes a que estamos expostos, sobre a nossa postura ética em relação ao nosso próximo.

A primeira coisa que me chamou atenção no filme, foi a nossa vulnerabilidade diante de ameaças invisíveis. Todas as pessoas com o mínimo de convívio social sai de casa, se tocam, conversam, bebem, comem, sorriem, se beijam, espirram, tossem, se coçam, falam e trocam diariamente diversos vírus e bactérias. A vida em sociedade é uma disseminadora em potencial dos vírus. Como prevenir? Não tem como, mas a gente pode usar meios de higiene como lavar as mãos antes de se alimentar, usar álcool em gel, evitar comer na rua. Mas ninguém está a salvo e a gente só reza em ser imune.

A segunda coisa que me impressionou em Contágio foi o comércio e a política em torno da doença. O personagem de Jude Law é um jornalista/blogueiro que denuncia agencias de saúde como a OMS de suavizar o impacto das doenças que não se tem controle e priorizar pesquisas de uma vacina eficaz, selecionar quem toma a dose. População e pesquisadores não jogam no mesmo time, pra alguém ganhar, alguém precisa morrer.

A terceira coisa que me impactou foi o instinto de sobrevivência que desperta em todos nós em situações adversas. Diante do desespero, a doença, a perda e a fome as pessoas se perdem cegas de egoísmo. Todos querem salvar a sua pele, e diante de uma iminência de catástrofe/ perigo esse instinto se intensifica e essa questão é tratada com muita crueza no filme. As pessoas matando por comida e remédios, o lixo crescendo nas ruas, cidades desertas e comércios destruídos por saqueadores. Cena bastante verossímil e chocante.

Enfim, o filme realmente mexeu comigo, me fez pensar se o MEV-1 existísse, qual seria nossa reação e se um dia vier a existir, como nos comportaremos. Seremos também cegos na luta selvagem pela sobrevivência? Não somos nossos adversários, mas somos nosso pior inimigo nos momentos mais críticos, principalmente numa luta onde todos estão no mesmo lado do ringue.

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