Remember me

Remember me (Lembranças, em português) conta a história de dois jovens cujas vidas são pontuadas por perdas. Ally (Emilie de Ravin) aos 11 anos de idade, perde a mãe que foi assassinada na estação do Metrô e Tyler (Robert Pattinson) perdeu o irmão mais velho, que cometeu suicídio.

As perdas traçam o comportamento deles ao decorrer da vida. Tyler se torna arredio e com problemas de relacionamento com seu pai, já Ally mora com o pai e aparentemente não tem problemas com a convivência, mas é notória a distância em que eles vivem.

Os acasos juntam esses dois jovens, transformando a amizade em uma bonita, mas tênue história de amor porque a aproximação de Tyler não é genuína, foi motivada por uma vingança que logo fica esquecida.

Mas Remember me não é um filme romântico com final feliz para os mocinhos, esse é na verdade, um filme que explora a ideia da imprevisibilidade da vida, e essa nossa incapacidade de controlar os acontecimentos que transformarão as nossas vidas de forma irreversível. As decisões, os caminhos, nossas escolhas, nossas prioridades. Tudo isso influencia no nosso futuro de forma direta.

No restaurante, Ally expõe uma teoria interessante sobre essa imprevisibilidade da vida, ela come primeiro a sobremesa e depois o prato principal, é que segundo ela, devemos aproveitar primeiro a oportunidade de comer/fazer aquilo que preferimos, porque pode não dar tempo de fazer aquilo que a gente tem vontade. A partir desse momento, assistimos os dramas particulares dos personagens e a forma em que eles tentam consertar suas vidas como se tivessem a constante consciência da efemeridade da vida.

Não saber do seu futuro faz do ser humano o mais miserável dos seres, nossa noção de existência e de futuro não passa deste átimo de piscar os olhos, o resto não nos pertence, nem sequer sabemos o que acontecerá no momento seguinte, nosso vislumbre do futuro é imaginação, fé naquilo que perseguimos. Nada mais que um sonho de prolongar nossa vida.

A gente nunca sabe o que vai encontrar depois da curva, então a gente deve mesmo aproveitar cada momento como se fosse o último, tomar a vida em um gole só, mas sem deixar de sentir seu gosto, provar seus sabores, experimentar novas texturas, viver amores, sentir paixão descontrolada, coração correndo nas artérias, vento batendo no rosto. A única maneira se se sentir a vida é viver em sua plenitude.

O filme nos ensina isso de uma forma menos explícita, nos ensina a reparar erros, buscar abraços, olhar nos olhos, compreender o outro, perdoar, se doar. Fórmulas simples que transformam a vida, que tornam mais valiosos todos os momentos que a gente passa ao lado de quem a gente ama.

Remember me não acaba com final feliz, ou não pelo menos não da forma que a gente está acostumado ou espera dos filmes, mas a gente acaba entendendo e aprendendo outras formas de felicidade, aquelas que a gente só percebe com o tempo, quando nota que nossa vida foi transformada pela ação direta (ou indireta) do outro.

É um filme que a gente assiste e fica pensando nele por um bom tempo, faz a gente olhar para aquilo que somos e quem nós temos e o que fazemos por quem amamos.

 

“O que quer que você faça na vida, será insignificante. Mas é muito importante que faça, porquê ninguém mais fará. Como quando alguém entra na sua vida e metade de você diz: “você não está preparado”. Mas a outra metade diz: “torne-a sua para sempre!” 

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4 comentários sobre “Remember me

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