Sobre religião

A morte é uma das principais razões para a humanidade ter inventado a religião. Antes de continuar o assunto, devo lembrar que religião não tem nada a ver com fé, embora fé e a religião estejam intimamente ligadas.

Fé é aquilo que as pessoas têm por conveniência, não por certeza. Porque a fé é pautada em acreditar em alguma coisa, uma ideia, ou alguém. Certezas são pautadas em evidências, confirmações, provas físicas e concretas.

A morte é uma prova física do desligamento do corpo e a religião tem papel importante na explicação deste fenômeno tão difícil que todos nós passaremos e/ou enfrentaremos. A religião explica a morte conforme sua doutrina e dogmas. Para algumas, a morte é descanso, para outras uma separação momentânea e até uma possível chance de recomeço, como reencarnação.

Talvez a morte seja o mistério mais profundo de nossa existência,  ela provoca medo e especulação de toda a sorte, a religião contribui no universo imaginário que temos acerca deste obscuro lado. E é na religião que milhões de pessoas buscam alento na dor da perda, afinal, separar-se de entes queridos não é uma tarefa simples. Imaginar que após a morte teremos um reencontro com todas as pessoas que se foram, ou que teremos uma nova chance de fazer as coisas certas, transforma a morte em um fardo leve, quase agradável, de se imaginar.

A religião por si só exerce um controle social, e o medo é a ferramenta de controle das religiões. É por meio do dele que os fieis encontram-se amarrados a um ideal. O principal medo que a religião desperta é o da não – salvação. As religiões nos ensinam que o não cumprimento de seus preceitos e doutrinas, e que o pecado nos levam ao inferno, aprendemos desde cedo também que o inferno não é um bom lugar, que é para lá que vão as pessoas más, é um lugar de sofrimento eterno. Ninguém quer ir pra lá, todo mundo prefere o céu, pra poder descansar em paz, ter a chance de reencontrar entes queridos. O medo nasce do desejo de ir para o céu.

É atroz pensarmos na religião (e a igreja) como uma fonte poderosa de terrorismo psicológico, usando a fé e a ingenuidade de muitos para engordar os próprios bolsos e construir verdadeiros impérios. Não sou contra a fé, mas sou contra a religião que é coercitiva em troca de um amor que é gratuito e de livre arbítrio.

É impossível falar de religião sem nos lembrarmos de tantos bandidos que usam o nome de Deus em vão, a fé genuína e a dor alheia para ludibriar o povo menos esclarecido, menos culturalmente favorecido. A religião é mais um produto capitalista que a sociedade abraça e finge que não perceber que é ela a maior “dissolvidora” (acabei de inventar essa palavra) da fé.

É por causa da igreja (instituição) que o ceticismo cresce de forma desordenada, nada tem a ver com o produto da fé, mas com o que fizeram dela, mas fica mesmo difícil de acreditar numa instituição onde não se vive o que se prega, onde presenciamos roubos, extorsões sob a desculpa de seguir a Deus. Digo sem medo de errar, que Deus não habita em templos e não habita em locais onde a função maior é ludibriar as pessoas em nome da fé. Deus habita em cada um de nós e isso basta para sermos o que somos.

 

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Um comentário sobre “Sobre religião

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