De repente 30

Tanto ouvia falar dos temidos 30 anos de idade, eu confesso que não doeu, mas com certeza assustou como assusta a cada mulher. Foi só estranho hoje me olhar no espelho e encarar os anos acrescentados mesmo que nenhuma expressão evidente, o meu rosto estava igual e ainda não apareceu nenhum fio branco em meio aos meus cabelos.

Honoré de Balzac estava certo quando disse essa é a melhor idade da mulher e não importa muito se o relógio biológico já anda gritando e eu teimando em não ouvi-lo, ou se a gente ainda não sabe muito bem o que quer para a nossa vida porque com certeza já sabemos exatamente aquilo que não queremos.

Chego aos 30 anos melhor do que cheguei aos 18 anos. Sem muita expectativa com o porvir, sem ansiedade em tomar a vida em um gole só. Aprendi que vale mais a pena ir devagar e conseguir assim saborear melhor meus anos, meus dias e não importa se algumas vezes o gosto vem amargo, os dias doces vêm como bálsamo e inspiração por novos sabores.

Ainda guardo e alimento meu lado adolescente que chega às vezes sem pedir licença, ainda gosto de música alta, tomar banho de chuva, rir sem motivo aparente, me perder em uma paixão mesmo sabendo que ela é fogo fátuo, aliás a paixão que sustenta um coração adolescente é a mesma do coração de 30, a diferença é que a gente já consegue lidar melhor com a expectativa, a gente já aprendeu que nada dura para sempre e que o melhor é aproveitar as oportunidades. Sexo casual aos 30 é muito mais contornável do que aos 18 e a gente aprende a desprender sexo de amor – não somos dona da razão e não mantemos controle sobre nossos sentimentos e por isso, a mulher de 30 também se permite chorar. É choro libertador, uma catarse que a gente  tem necessidade para expulsar todos os nossos fantasmas, exorcizar todos os nossos demônios.

Acho que ter 30 anos é ter mais consciência daquilo que somos e do que desejamos ser. Não é planejado ter essa completa noção de si, mas numa auto-análise chegamos facilmente a essa conclusão. Posso estar errada e talvez a concepção dos 30 anos seja uma coisa absolutamente subjetiva, mas este é o modo como eu me enxergo, como eu passei a me olhar todos os dias.

Não me reconheço aos 18, mudei muito aos 30. Estou melhor agora, experimento mais sem o furor adolescente, ainda tenho sede de vida, mas aprendi que o paladar vem com a degustação, como nos vinhos. Devagar, sem pressa e aproveitando todos os sabores.

Que venham mais 30.

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2 comentários sobre “De repente 30

  1. Lara Serpa disse:

    30 anos assusta mais antes de chegar do que no momento mesmo…

    Mas é bem isso que vc falou, a gente aos 30 a gente não é menininha, mas ainda guarda dentro da gente nosso lado adolescente, que usamos sempre que conveniente. 🙂

    Beijo e parabéns.

  2. Olha Carol, creia, os homens também ficam meio paranoicos aos 30 anos. É uma fase de crise. A gente não é velho e nem tão jovem mais.

    Eu tenho 31 e passei pela crise dos 30, decidi relaxar e aproveitar a vida, os momentos… Boa sorte, vc vai gostar ainda mais de 30 e eu acho que sim, Balzac estava muito certo.

    Beijo

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