Vidas despedaçadas

Me emocionei assistindo ao programa ‘domingo espetacular’ da rede record news. Onde o assunto era o crack – a epidemia do crack em todo o território nacional. Mostra o rastro de destruição que a droga causa, tanto no dependente/usuário, quanto na família, isso sem mencionar o custo que o tratamento pesa aos cofres públicos. As vezes me questiono se o problema das drogas é de ordem de segurança pública ( que permite pa-ci-fi-ca-men-te o tráfico) ou se de saúde. O usuário passa a ser um doente quando se torna dependente. De verdade verdadeira, as drogas se encaixam em vários segmentos: saúde, educação, segurança, cultura, fuga. Não, classes sociais não se enquadram mais aqui, porque hoje não existe mais distinção.

Mas o programa em especial que eu estava assistindo fazia um apanhado sobre o alastramento do crack de norte a sul do país e o cenário é o mesmo. Muitos começam por curiosidade e a maioria termina na sarjeta ou mortos – pelo tráfico ou por doenças em consequência do uso contínuo. Como parte da reportagem, estavam três famílias de classe média alta totalmente despedaçadas pelas drogas. O primeiro caso é de um jovem do Rio de Janeiro que assassinou a namorada que o impedia de se drogar e o pai o entregou à polícia; o segundo é de São Paulo onde um jovem de 19 anos é viciado em crack e é internado em uma clínica de forma involuntária, mas acaba respondendo bem ao tratamento e o terceiro é o mais comovente. Conta a história de um jovem de 24 anos de Porto Alegre, que numa briga com a mãe, ela disparou dois tiros contra ele, assassinando o próprio filho.

A mãe desse jovem está sendo processada, mas sinto que a dor dela, é a maior punição. O processo tramita em segredo de justiça por se tratar de um caso familiar, mas lembro que na época em que isso aconteceu, a mídia divulgou que o rapaz queria dinheiro para comprar drogas e a mãe tentou impedir, quando ele puxou uma faca para ameaçá-la e ela como defesa disparou contra ele sem intenção de matá-lo.

Fico pensando. Será que ela tem a consciência de quem matou o seu filho não foi ela e sim as drogas? Claro que a dor dessa mãe não devem em nada diminuir em saber que o tiro fatal não foi do seu gatilho. Mas aí várias indagações começam a brotar. Onde foi que eu errei pra ter chegado a esse ponto? talvez não haja um ponto de partida que realmente leve um jovem ao mundo degradante das drogas. Os amigos influenciam e a curiosidade dá coragem, mas sinto que há em algumas pessoas, uma predisposição ao vício, como se alguns fossem mais suscetíveis do que os outros. Nos olhos daquela mãe pesam a dor, a dor da falha do estado que não disponibilizou uma vaga em um hospital psiquiátrico, dor da frustração de não ter conseguido salvar um filho de um mundo praticamente sem volta.

Se há alguma falha, esta está na sociedade que acada dia mais é banalizada, que acostuma-se facilmente com as tragédias que sofremos diariamente. Nossa sociedade está corrompida, violentada. O amor não é pregado, o ser humano é tratado como moeda de troca e a vida cada dia mais barata. A falha está em nós, céticos que fechamos os olhos por puro medo de tentar.

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