Cultura e a falta dela

Eu acho a humanidade um tanto bizarra, mas ainda não consigo rir da ignorância. Sei lá, não acho graça da burrice, quer dizer, algumas até me fazem rir, outras me deixam envergonhada. Faço parte da geração que cresceu assistindo TV e aprendendo a fazer piada contra negro, loira e português. Um preconceito velado que eu sempre evitei, inclusive de achar graça.

Cresci assistindo show da xuxa e escolinha do professor Raimundo, mas nunca fui uma pessoa de passar horas assistindo televisão, desde pequena, meu fascínio foram os livros. Enquanto meus primos e amiguinhos se divertiam em brincadeiras, eu viajava num mundo só meu, entre as páginas de um livro ou criando minhas próprias estórias e isso me serviu para muitas coisas, inclusive viver num a parte do nosso, o que em suma, não foi tão ruim assim.

Lembro que meu primeiro livro aos 8 anos foi o famoso “pequeno príncipe”, logo esse que nunca foi um livro infantil e curiosamente eu nunca visualizei um elefante dentro da jibóia, minha infância foi amputada por conta de tantos livros e tanto interesse por assuntos incompatíveis com a minha idade. Cresci lendo Dom Quixote, Romeu e Julieta, Homero e literatura brasileira, aos 14 anos eu já tinha lido Esaú e Jacó, Dom Casmurro, Memórias póstumas de Brás Cubas, vidas secas, o guaraní, capitães da areia entre tantos outros mais e menos famosos.

Não acalentei muito as ilusões de menina e me tornei uma mulher mais racional, o que não me impediu de quebrar a cara muitas vezes por conta de paixões erradas ou não correspondidas (de ambas as partes). Os livros me ensinaram a não perder a capacidade de me surpreender, só que fazer era bem melhor do que esperar, isso não tem preço. Até tem, mas é alto, muitas pessoas não querem pagar.

Dias atrás entrei no chat uol. Tava entediada, estressada e quis desopilar um pouco, escolhi um nickname que mais combina comigo. “Capitu”, nesse dia recebi muitas cantadas e propostas de sexo fácil. Alguns homens me perguntavam o porque daquele nick, e logo vinham com papo mole, até que um deles me disse que achava estranho alguém escolher um apelido de uma prostituta. Expliquei o que era minha personagem, que não tinha nada de ‘mulher da vida’, e percebi que, com exceção de dois homens, eles associavam meu apelido com a personagem de Giovana Antonelli na novela laços de família, lá ela interpretava uma garota de programa. Não pude deixar de rir, mas também de me preocupar.

Fiquei me perguntando se nas escolas, os professores de literatura e língua portuguesa não estimulam a leitura, não conversam com seus alunos sobre livros, sobre cultura em geral. Será que somos mesmo essa geração puramente televisiva e vazia, ou eu que sempre fui diferente da maioria? Será mesmo que a cultura seja tão cara que não abrange a todos ou as pessoas não se importam mais em aprender, se informar, crescer?

Tá certo que nesse país a cultura, assim como a saúde e a educação estão em último plano, mas deveria existir também uma motivação pessoal. Como um homem ou até mesmo uma mulher quer ser interessante sem ter a menor noção de nada, nem cultura. Não se pode nem colocar culpa no baixo poder aquisitivo porque a internet está aí abrindo um mundo de muitas possibilidades, um mundo bem maior do que uma sala de bate papo.

Obviamente que uma sala de papo não é um lugar apropriado pra se conversar sobre literatura, política, cultura em geral, as pessoas em sua grande maioria estão alí para uma diversão barata, em busca de uma aventura amorosa e outras querendo alguma coisa mais séria, mas para mim, a inteligência é um potente afrodisíaco. Eu jamais me interessaria por um homem que escreve errado ou não sabe o mínimo para manter uma boa conversa.

Hoje rio desse episódio no chat uol, no dia fiquei chocada com a ignorancia, ou burrice mesmo das pessoas, mas no fim das contas dei graças a Deus por ter escolhido “capitu” como nickname, imagine se fosse “Anais nïn”? Não tanto pelo contexto de quem ela foi, mas pela analogia do nome… Não. não quero nem pensar.

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