Meu [pequeno] mundo

É quando eu paro pra pensar nas coisas da vida e nas pessoas que amamos, que eu vejo o quanto somos orgulhosos, egoístas e mesquinhos. Nos últimos dois meses aprendi, ou melhor, tive a prova evidenciada pelos meus olhos de que nessa vida não somos nada, e o que fica realmente é aquilo que somos, fazemos e vivemos. O resto é poeira. Pó e vento.

Nossa vida muitas vezes se resume ao nosso próprio umbigo, nosso reino encantado, nossa fortaleza construída em nuvens. Um dia a realidade nos entra pelos olhos e nosso pequeno mundo mundo desaba, como bem disse Guimarães Rosa. A gente se preocupa demais em viver, fazer e acontecer e se esquece que a vida se faz entre um piscar e outro de olhos, a vida se monta a partir de um fôlego a mais que tomamos. Nossa vida se resume a respirar, comer, enxergar, ouvir e tocar. Nossos preciosos cinco sentidos. É por ele que conseguimos levar nossa vida até o fim. Parece engraçado dizer isso, mas muitas pessoas desistem da vida e continuam respirando.

A vida é tão pequena e tão frágil que só nos damos conta, quando estamos confrontados com ela. Fico me perguntando então, como a gente consegue ser tão indiferente à dor alheia, tão insensíveis com os problemas do mundo quando tudo na nossa vida está bem e em como ignoramos o resto do mundo quando sentimos dor. A nossa dor é a maior porque é nossa, mas e quanto às pessoas que também sentem dor?

Ultimamente tenho convivido com pessoas enfermas e o ambiente hospitalar me ensinou muito, principalmente a dignidade da pessoa humana, que não tem nada a ver com direitos e deveres para com o cidadão, mas em respeito à dor, respeito e empatia com o sofrimento alheio. Para onde olho, há várias historias de superação, de amor e de dor. Como é difícil manter a sanidade em um lugar onde há mais morte do que nascimento. Como manter a esperança se a cada dia a vida se esvai devagar como areia na ampulheta?

É só olhando para os lados que eu percebo quão boa é a minha vida, quão abençoada e unida (apesar de tudo) a minha família é. A adversidade vem pra nos mostrar quem somos. Olho nos olhos da minha avó naquele leito e vejo toda a sua dor, mas vejo também alguém que luta contra sua própria deficiência, sua fraqueza diante do passar do tempo, passar dos anos, mas vejo a esperança e o amor sendo retribuído a cada filha e a cada neta que chega para ficar de acompanhante. No final das contas, é esse amor que realmente importa e é isso que iremos levar pro resto dos nossos dias.

Eu posso dizer com bastante firmeza que cresci mais nesses dois meses do que em 28 anos de vida que eu tenho. Tenho enfim a consciência do meu lugar no mundo, plena noção do meu tamanho perante a vida e sobretudo, perante a morte. O meu mundo pode ainda ser o meu centro, mas com certeza eu não estou sozinha nele.

[Texto do dia 26/10/10]

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