O BBB e o campeão Fael

O BBB (Big Brother Brasil) terminou hoje, ano após ano o “reality” show vem perdendo a credibilidade (e a audiência). Eu, uma espectadora confessa e assumida digo sem medo de errar que essa edição foi a pior de todos os tempos. Participantes insossos fizeram parte do triste espetáculo de hipocrisia e omissão que, diante de nossos olhos (e de câmeras que não nos deixam mentir) protagonizaram um caso de estupro e a primeira relação sexual dentro da casa.

O polêmico caso de estupro logo no começo do jogo envolvendo Daniel e Monique foi abafado pela emissora gerando grande debate nas redes sociais. Imagens comprovam que a participante Monique havia bebido além da conta e Daniel se aproveitou da situação para bolinar a moça praticamente inconsciente. As imagens mostram, os envolvidos negam, a emissora abafa e a polícia arquiva. Como tudo no Brasil, virou piada. Piada de mau gosto, desrespeito e omissão.

A primeira relação sexual da casa foi protagonizada pelo casal Yuri (um brutamontes, lutador, forte e uma manteiga derretida) e Laisa  (uma modelo, estudante de medicina arrogante e grossa), o ato foi amplamente divulgado e comentado nas redes sociais e sites de fofocas, como se sexo fosse um espetáculo que merecesse grande plateia e fosse realmente relevante comentar. O Big Brother jamais foi um reality, mas um show. O big brother não é vida real, mas personagens reais vivendo papéis próprios em busca de um só objetivo, sobreviver à aprovação do público brasileiro e sair de lá com 1 milhão e meio de reais (prêmio deste ano).

O Big Brother Brasil perdeu a característica inicial de um reality show, aquela dos tempos do Bambam (primeiro vencedor do BBB), naquela época, o programa tinha ares de inocência e personagens mais próximos da realidade, gente que vivia e sofria, gente de verdade com sonho. Hoje o programa assumiu característica de jogo. Jogo de interesse, de influência e de estratégia. Há 10 anos, era um programa de entretenimento, divertido e imprevisível com personagens inesquecíveis.

Mas hoje acabou o BBB, e Fael sagrou-se campeão. Pra mim, sempre foi claro que ele venceria. Fael sempre foi o jogador político, escolheu seu lado, defendeu seus amigos. Mas não comprou brigas que não eram suas, verdadeiramente polido e contido, foi se conservando um jogador forte. Um rapaz de beleza mediana, sem grandes atrativos. Físico nada atlético, sotaque carregado, vocabulário parco, homem taciturno, reservado, conservador e de origens humildes caiu nas graças do público brasileiro que anseia por ver gente como a gente, personagens que se aproximam cada vez mais de nossa realidade. Talvez tenha sido essa a receita de ser um campeão: ser simples, ser real.

O Big Brother encerra a sua pior edição não somente pela má escolha de seus personagens, mas pela previsibilidade do programa, pelo formato que já não atrai tanto nem pelo reality carregado na edição e na realidade fake exibindo um péssimo show. Um programa na décima segunda edição já está fadando ao fracasso nas próximas se não houver gente como nós aqui fora, aqui na vida de realidade vivida, realidade inventada pra ser mais atrativa, nossa realidade assistida. Reality show.

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