Ação do tempo

Quando se tem 18 anos de idade, nós costumamos a achar que o tempo passa lento, ou melhor, a gente acha que tem todo o tempo do mundo. E na verdade temos. Nesta fase, a gente tem sede de viver e quer tomar o mundo inteiro em um gole só.

O tempo passa e a gente acaba se saciando na vida, começa também a buscar outros sabores, novos experimentos e aí, a vida adulta chega nos deixando um gosto de saudade na boca, a adolescência é com certeza, a fase mais gostosa da vida.

Ser adulto é viver face a face com seus problemas, seus demônios, para mulher é uma fase complexa onde ela precisa traçar seu caminho e suas prioridades: profissão, independência financeira e vida pessoal estabilizada (casamento, filhos ou nada disso). Fato é que os anos acabam pesando uma hora ou outra e a gente vai pensando nas coisas que poderiam ter sido diferentes se tivéssemos tomado outro caminho. A gente começa a pensar nos muitos ” SE’s” que a gente deixou de considerar e sabe que não cabe mais se lamentar, mas a gente sempre guarda aquele sentimento de “poderia ser diferente”.

No mais, a gente um dia olha no espelho e nota uma prega no canto do olho, uma ruguinha que não existia, e encontra o primeiro fio de cabelo branco, não consegue mais passar a noite acordada em uma balada e ficar inteira no trabalho no dia seguinte, sentir dores pelo corpo com uma noite mal dormida e sentir que o corpo não é mais tão resistente como outrora.

O tempo passa e esse é o fluxo natural da vida, a gente guarda apenas aquilo que viveu da melhor forma, mas é duro olhar para trás ver tanto tempo desperdiçado no que não valia a pena ou em quem não merecia. Não sei se eu me lamento mais pelas coisas que fiz do que pelas coisas que não fiz. Às vezes sinto que se eu tivesse tomado outros caminhos, tudo teria sido tão diferente, mas talvez eu não fosse feliz ou não seria realmente quem eu sou. Ou talvez tenha sido as minhas escolhas fruto daquilo que me tornei: ausente, à parte e alheia aos fatos que não me competem e diz respeito. Eu preferi o caminho distante, sem me apoiar em ninguém, os frutos que colho não são tão bons, mas são o melhor que posso ter daquilo que escolhi.

Meu período “pré – balzaquiano” tem sido um divisor de água, um marco para novas e decisivas escolhas. Ponho as cartas na mesa e sem medo da ação do tempo peso minhas possibilidades. Quero e preciso de novos rumos, novas perspectivas de vida, mas não alimento sonhos impossíveis, tampouco alimento expectativas. Não tenho medo do futuro, enfrento e pago o preço que ele tiver.

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