Lixo extraordinário – visão pessoal

O que é feito com o seu lixo?

É a pergunta que a gente se faz depois de assistir ao documentário lixo extraordinário que fala do trabalho do Vik Muniz, um artista plástico que trabalha com objetos reciclados. O documentário é gravado no lixão de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro que é considerado o maior lixão do mundo. O projeto consiste em coletar material para o Vik montar suas obras de arte.

As imagens do lixão, das pessoas trabalhando ali é algo que mexe conosco. Como é citado no filme, as pessoas ali não estão ressentidas ou cabisbaixas por trabalharem com o lixo e de estarem expostos a doenças e ao preconceito. Mas elas brincam, sorriem e sonham com uma vida melhor. Todo trabalho honesto é honroso, digno e merece respeito. Mas é bem verdade que aquelas pessoas são invisíveis na nossa sociedade.

É difícil sentirmos empatia por alguém quando a sua realidade é extremamente distinta da nossa, mas olhando aqueles rostos sofridos no lixão – a grande maioria conformada com a sua realidade de miséria, que trabalha para sobreviver, esperando morrer, e tantas outras que ainda guardam sonhos, sonho ver suas vidas transformadas, sonho de um futuro melhor, a gente acaba sofrendo junto e se envergonhando por viver em um país de grandes discrepâncias sociais, e assistir resignado (pra não dizer, apáticos e omissos) a discursos mirabolantes de candidatos que trocam votos por punhados de esperança. Esperança de dias melhores para essas pessoas que trabalham no lixão de Gramacho e em tantos outros lixões espalhados pelo mundo.

Fiquei pensando nas nossas mazelas particulares, temos a infantil (e importante) mania de não nos conformar com nossa realidade, sempre achamos que merecíamos mais e queremos, buscamos e sonhamos sempre em ir além: Ter uma profissão melhor, emprego melhor, uma vida mais fácil, algum conforto, saúde, educação. É nosso inconformismo que nos impulsiona, e não olhar para o lado, para pessoas que vivem com menos que nós.

O trabalho de Vik Muniz não resgatou somente a autoestima daquelas pessoas, personagens reais de uma miséria ignorada. Vik, através de sua arte transformou a vida dos personagens de seu documentário, doando-lhes a renda da sua exposição, oferecendo arte, cultura, alguma cidadania, algo que eles possam se orgulhar. Todos eles em uníssono dizem se orgulhar de ter um trabalho honesto e não estarem jogados às drogas, à criminalidade ou à prostituição. Também me orgulhei deles, que mesmo com todos os motivos para sucumbir, permaneceram firmes e me deu mais certeza de que não é a classe social que molda caráter, mas a essência que cada um de nós carregamos é que nos mostra, mais cedo ou mais tarde, o que e quem nós somos.

Segue abaixo a foto de cada uma das belas obras de Vik Muniz. E quem quiser assistir ao documentário, é só procurar no Youtube, que tem inclusive, o documentário completo.

Eu não sei o que é feito do lixo aqui da minha cidade, mas eu espero que haja mais respeito aos que trabalham com ele.

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