A dor de todo mundo

As chuvas que caíram sobre a região serrana na madrugada do dia 12/01/11 tornaram-se na maior catástrofe natural da história do Brasil, dizimando centenas de vidas. O cenário desolador mostra a fúria das águas, tudo foi revolvido. Pedras de dezenas de toneladas rolaram das montanhas como se fossem pedrinhas engolindo casas, carros, árvores, bairros inteiros.

De repente a região serrana virou assunto, todos os olhos voltados para cá. Teresópolis, Petrópolis, Nova Friburgo, antes rota de turismo, descanso e lazer, hoje, rota de helicópteros de salvamento, milhões de olhos solidários, olhos curiosos, olhos de perplexidade. Pessoas que não tinham nada, num piscar de olhos perderam tudo.

Lembro que na noite dessa tragédia choveu demais, a noite inteira e por volta da 1:45 da madrugada acabou a luz, dormi vencida pelo cansaço, horas antes disse a um amigo que detestava dormir com chuva porque era sempre sinal de notícia ruim. Parecia um presságio, ou simplesmente hábito, desabamento de casas é um fenômeno corriqueiro no verão. No dia seguinte, meu celular explode de ligações, todos querendo notícias, saber se aqui estava tudo bem. Estava. A luz voltou por volta das 10, meu namorado que é policial chega aqui em casa em estado de choque. As chuvas fizeram estragos enormes, incontáveis. A TV local noticiava que as coisas iriam piorar e pioraram, hoje contamos só aqui em Teresópolis 302 mortos, o número só aumenta a cada momento. Nossa corrida era para saber se entre as vítimas eram conhecidos, amigos e parentes, depois a corrida era ajudar.

Cada um fazendo o que pode para amenizar a dor do próximo, doações de roupas, água, atenção. Ouvi relatos emocionantes e comoventes de adultos, idosos e crianças. A dor passa a ser nossa, a ser minha. Tudo parecia um sonho, irreal, eu não queria acreditar no que meus olhos viam. Uma tragédia assim nem tão anunciada, áreas sem perigo iminente veio abaixo como se tudo estivesse condenado, não foi só negligencia, tenho certeza de que se as áreas de risco tivessem sido atingidas, a tragédia pelo menos aqui em Teresópolis seria pior.

Hoje, mais de uma semana depois, os trabalhos continuam, 32 helicópteros trabalham sem cessar, áreas continuam isoladas, a dor fica naqueles que sobreviveram e como é difícil sobreviver nessas condições, muitos perderam a familia inteira, milhares não têm pra onde ir. Mas a vida prossegue e a gente tenta sorrir, a gente sempre tem fé que isso um dia vai melhorar, a gente precisa agarrar à centelha de esperança que ainda nos resta.

Infelizmente novas tragédias virão para esquecermos dessa, aos poucos a TV encontra novo foco de notícia: BBB 11, Ronaldinho Gaúcho, campeonato carioca, carnaval. A dor vai sendo banalizada não por falta de compaixão e nem por falta de solidariedade, mas porque a vida precisa continuar, as perdas não são explicadas, justificativas não darão alento e a gente só roga, pede desesperadamente para que não aconteça com a gente, não aconteça nunca mais.

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