O legado que ninguém quer

A copa do mundo da África do Sul está na sua reta final, porém a sua herança perdurará por algum tempo. Não nos esqueceremos facilmente de um povo de riso frouxo e bem barulhento e eles, não se esquecerão de nós, brasileiros, turistas, componentes,meros figurantes de uma festa que eles proporcionaram ao mundo.

Milhões de investimento em obras, construções e infra estrutura que sairão caro aos bolsos sul- africanos. Dinheiro público jogado pelo ralo e a frustração de não terem sequer levantado a taça. Esse é o legado da África do Sul. O legado que ninguém quer.

Claro que em termos gerais, sediar uma copa do mundo traz grandes benefícios ao país anfitrião. Há gastos, dívidas, mas há recompensas como no turismo por exemplo. Muitos dos que não conheciam a África do Sul, agora sabem que por lá não existe apenas miséria, fome e violência. Durante 30 dias de jogos, a África foi a janela do mundo, todos voltaram suas atenções para lá, tivemos a oportunidade de saber das belezas naturais africanas, pontos turísticos e cidades maravilhosas, como a Cidade do Cabo. Mas não é só o turismo que lucra, mas a economia como um todo é movimentada e todo mundo ganha, desde o dono do hotel mais caro ao vendedor de vuvuzela na porta do estádio. Aumentam os empregos e renda familiar, cidades crescem e o país progride.

Com o fim da copa, a África do Sul terá de sobreviver com a herança da copa: estádios novos, construídos especialmente para o mundial e agora ficarão às moscas. Um país que não respira futebol, de pessoas que não tem esse esporte na veia e muito menos nos pés, terão de conviver com a presença do claro desperdício e um dividendo maior que a sua arrecadação. São os contras que uma nação, em tese, é pobre não poderia custear. Provas da falta de planejamento e abuso de verbas, a sensação que dá é que a África do Sul queria somente mostrar ao mundo que poderiam. Puderam, mas e agora? Agora é juntar os cacos, seguir em frente e não errar mais.

Daqui a quatro anos, a copa será aqui no Brasil, espero que a lição que ficou dos jogos panamericanos de 2007 ainda esteja viva na memória de cada um e principalmente na memória dos governantes, para que tenhamos uma copa sem dores de cabeça. Se o Brasil souber usar os recursos que já tem, aliados ao bom planejamento, poderemos sediar uma copa bonita e mais lucrativa, gerando empregos diretos e indiretos, poderemos explorar nosso vasto território com o turismo.

O Brasil, apesar de todos os problemas conhecidos, é um país muito bonito e ter uma copa por aqui será muito bom para mostrar ao mundo, os lugares que poucos conhecem, será bom para sairmos um pouco do eixo Rio – São Paulo do turista brasileiro. É a chance de mostrarmos O Rio de Janeiro como poucos conhecem- explorar a região serrana, a região dos lagos. Conhecer Minas Gerais – Tiradentes, Ouro Preto, três corações. Manaus, Fortaleza, Porto Alegre, São Paulo e demais estados que terão jogos ou não, é nossa chance, talvez única de conhecer nosso próprio país, nossa cultura e povo.

Mas não basta querer, é preciso mais do que boa vontade e intenção. É dever dos governantes estaduais e federais prover meios de sustentar a copa do mundo com qualidade e baixo custo, para que nossa ressaca não seja maior do que a do hexa, que se Deus quiser, virá em 2014.

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