O Brasil lembra do Haiti, mas não lembra do Brasil

Acho louvável que o governo brasileiro esteja ajudando as vítimas do terremoto do Haiti com US$30 milhões em ajuda humanitária e mais R$ 375 milhões para financiar ajuda ao Haiti ( fonte ), aviões carregados de alimentos e medicamentos, sem mencionar o número de soldados, médicos, enfermeiros, e bombeiros que se mobilizaram para a reconstrução daquele país. Toda ajuda é bem vinda e necessária em catástrofes como estas, mostra que somos todos parte de uma coisa só.

Diante de quantias e voluntariedade generosas que o Brasil disponibilizou, fica na boca o gosto amargo de sermos uma nação órfã. Por aqui, diariamente vemos crianças se prostituindo pra conseguir um prato de comida, pessoas morrendo em deslizamento de terra, observamos indignados e acuados o aumento da violência nas grandes e agora pequenas cidades, enquanto o exército brasileiro faz a segurança de um país que não tem elo nenhum conosco. Quase chega a revoltar.

Eu olho a situação do Haiti com profundo pesar e sinceramente não sinto orgulho algum em ser de um país que ajuda muito, mas não olha como deveria para o seu povo. Por aqui, tudo é mais complicado, depende de verba,  demora mais, enquanto isso mais um inocente é morto no Rio de Janeiro vítima de bala perdida, talvez enquanto eu escrevo aqui, alguma casa é levada por deslizamento de alguma encosta, uma criança morre de desnutrição e ninguém fica consternado por muito tempo. Uma tragédia substitui a outra e todas caem gradativamente no esquecimento. É triste e muito vergonhoso ter os olhos abertos ao que acontece por aqui.

Eu queria ver o exército brasileiro subir nas favelas brasileiras e remover toda a bandidagem, prender, punir e erradicar a violência. Queria ver nossos médicos com condições decentes de trabalho e se não tiver hospitais, leitos que se façam barracas, improvisem, a situação por aqui não é menos bélica ( no sentido de destruição) e nem menos calaminosa do que no Haiti,

Queria também deixar de ser tão egoísta nesse momento, mas é triste ver que temos tantas condições de melhorar nosso país e o que falta realmente é boa vontade, disponibilidade, amor ao próprio povo. Sempre aprendi que o melhor era prevenir do que remediar,mas será que temos que sofrer um terremoto para que o Brasil olhe para o Brasil, para que o exército coloque ordem nas nossas favelas, para que a comida e a água cheguem ao sertão brasileiro, para que os doentes não padeçam nas filas dos hospitais a espera de um leito, de um alento, de um lugar para morrer?

Eu não acredito mais em ano eleitoral. Os políticos pertencem à mesma forma, só mudam de nome, endereço e partido político. Política é um jogo de interesse que ganha não a vontade do povo, mas as alianças perfeitas para que eles encham cada vez mais e facilmente os bolsos.

Talvez um dia quem sabe, não teremos uma patria mãe gentil que cuida bem dos seus filhos e seja mais garrida e mantenha os braços fortes. Enquanto isso, assistimos ao Hope for Haiti, pelo menos a música é boa e o dinheiro provém de arrecadações de pessoas voluntárias comovidas com a tragédia.

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