Sobre a ansiedade: Viajar

A ansiedade transborda toda vez que eu arrumo uma mala ou tenho uma rota traçada. Um plano de viagem. Carrego comigo, sempre, muito mais do que objetos e poucas roupas socadas em uma bagagem. O que eu levo mesmo, são as expectativas, principalmente, as de quem eu irei encontrar.

Como serão estas pessoas novas com quem eu irei cruzar? Pensamentos firmes sobre cada detalhe. Me pego imaginando se farei novas amizades ou se vou estabelecer novos relacionamentos. E quem não? Às vezes respiro e recupero a noção de realidade, afinal, se estes rostos não participarem da composição da minha viagem, ou se eu não conseguir tornar possível esta vontade imensa por buscá-las, mesmo assim, não desanimarei. Tenho muitos planos visuais, e saber ao menos registrar com sensibilidade essa delícias, estes novos lugares, seguramente, eu farei com maestria.

Viajar é mais do que conhecer um novo território, uma nova cultura ou pessoas diferentes. Viajar, é conhecer uma nova vida. É se mudar-se. É vivê-la. Não importa por quanto tempo. Se uma semana, um mês ou dez anos. Você sempre se lembrará de algo marcante, de um tempo confortante, de uma imagem impressionante. Vai tomar como um hábito, alguma coisa que te fez sair da rotina durante esse tempo de odisseia. Tudo isso é tão rico, que não temos a dimensão de quão valoroso é transporta-se para outro mundo.

Ao retornar, ficará sempre um sentimento novo. Sentimento de saudade, de apego, de nostalgia. E você se voltará pra dentro de si se perguntando; e aí, quanto eu paguei pela minha passagem? Qual será realmente o preço de um bilhete. É incalculável o valor de uma jornada. Não há nenhum centavo ou vintém que pague pela construção de um novo futuro, de um caminho à percorrer, um destino. O valor de um sonho, a vontade de uma mudança radical na vida. Tudo isso, não tem preço.

Se instalar em um novo ambiente é quase como um desafio. Saber que a padaria será outra. Que não terá mais aquele desconto na livraria de sempre, ou que passará batido aquela fruta no seu João da quitanda.  Mas pera aí! E por que não? Novas relações se estabelecem em nossa vida. Pessoas, vem e vão, o tempo todo, nos deixando uma lembrança, uma marca, um sentimento diferente. Cada uma delas, como um papel importante naquele baú chamado lembranças. Nada é inútil.

Conquistar novos espaços é incrível. É como se medíssemos nossa empatia, nossa capacidade de domínio, de distribuir gentilezas, fascínios, nobreza. É ter em mente que somos capazes de conquistar qualquer plano, desbravar qualquer território. Tenho bem resolvido dentro de em mim a certeza de que, este mundo é um oceano, e eu, nunca tive o menor comportamento de peixinho de aquário pra ficar nadando no mesmo lugar. Meu intuito sempre será de navegar outros mares. Portanto, aperto meu cinto e boa viagem.

E você, vai pra onde?

“Don’t you worry, don’t you worry child

See heaven’s got a plan for you”

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Pelo prazer

Eu quero te descobrir, mas não de repente, como se descobre um novo continente. A terra prometida sempre esteve ali, a espera de uma brava navegante com coragem o bastante para seguir adiante e descer a mares tão distantes , sem medo de encontrar o desconhecido. Somos do signo de terra. Tua terra precisa ser arada e semeada. Tua terra precisa ser habitada por mim.Tua terra precisa de uma nativa confiante para lhe dar o nome. Preciso habitar em ti e te mostrar o meu mundo, meus costumes, mostrar que em mim habita gente.

Quero ser tua morada, tua pousada.  Quero pisar em você de pés descalços devagarinho.  Gosto de sentir o cheiro da terra molhada. A chuva forte que caí, traz enxurrada, mas irriga a plantação. Gosto de sujar meus pés na lama. Eu quero te cobrir de beijos. Eu quero te cobrir com meu corpo. Eu quero me inundar de você.

Eu sou o teu espelho.Olha para mim, olha nos meus olhos. Nós somos o nosso reflexo. Estou tão difusa e tão confusa desde que você voltou. Você chega para refutar as minhas certezas e me encher de dúvidas.

Eu quero ser o seu segredo. Me descobre, mas me guarda dentro de ti, como o teu segredo mais escondido.

É um negócio arriscado, mas eu vou ser tua só pelo prazer de te ter.

Cotidianidade

Hoje enquanto vinha para o trabalho, ouvia música e organizava meus pensamentos, a voz rouca de Cássia Eller dizia que o mundo está ao contrário e ninguém reparou. Eu tenho reparado há tempos e, mesmo não me atingindo diretamente, é impossível permanecer incólume. Toda semana os telejornais e os demais veículos de comunicação jorram uma infinidade de más notícias que você filtra a maioria, mas tem sempre uma que te atinge o estômago e a dor lancinante de outrem te atinge como uma onda.

A vida, assim como a violência está sendo banalizada a olho nu, até mesmo pela imprensa (esta que defendo), não por maldade ou por tratar como normal, mas porque a abundância delas nos faz pensar que nossa sociedade corrompida tem aceitado compassivamente tais notícias que já não ferem, não doem, não comovem. A dor do outro vira piadinha na rede social, o jornal de hoje embrulha o peixe de amanhã, como já dizia Millôr Fernandes.

 

Relatos de uma mente abarrotada

Nem sem mesmo se está abarrotada ou se está, na verdade, cheia de um grande nada. O fato é que minha inspiração escapuliu e não consegui agarrá-la a tempo. Talvez seja culpa de uma rotina sem graça entre indas e vindas do trabalho, faculdade e alguns restaurantes esporádicos(ou nem tanto assim), pode ser também que uma vida insípida gere uma mente inóspita. Vai saber? Ninguém e nada habita nos meus lóbulos a ponto de me incomodar a sentar e escrever alguma coisa, exceto hoje, que acordei cedo por motivos alheios à minha vontade e decidi deleitar-me a uma verborragia despropositada.

A verdade é que a vida real pode ser mais monótona do que se supunha, seguimos os dias no trabalho, na faculdade e no convívio com a família/amigos/amores e pouco nos sobra a fantasiar, deixar a criatividade fluir. Antes, conseguia fazer da vida um substrato de personagens e divagações idílicas, oníricas e deliciosamente impossíveis de acontecer. É que sonhar é uma delícia. A realidade que me consome é crua demais, é engraçada também, mas mais crua que interessante. Vivemos no piloto automático, nas calçadas a pressa de se chegar, nas filas pressa a pagar, prensados nos coletivos a pressa é para sentar, esmagados no trânsito, cada um no seu casulo a pressa pode ainda demorar mais. Ser real cansa.

Despejo palavras na esperança que a criatividade me alcance, mas desisto, antes do fim conto 234 palavras escritas, 2 duas xícaras de café e algumas músicas. Termino aqui porque até a prolixidade me cansa. Insípida estou.

 

251 palavras. (255)